Manifestação, Mensalinho e Melo: entra em cena “Operação Salva Adail”

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Diante do ato inevitável de ter que colocar para apreciação e votação em plenário o relatório final da Comissão Processante da Câmara de Coari que se arrasta desde o dia 18 de fevereiro, foi arquitetada com a devida contribuição e orientação de marketeiros do Governo , a “operação Salva Adail”. Quando os vereadores de Coari decidiram fazer uma “cena de efeito” para a imprensa, posando de quem cumpre a função de fiscalizar o Executivo, e instalaram a Comissão Processante com pedido de cassação do prefeito Adail Pinheiro, não imaginaram no que ia dar. Pensavam, pelo que seus sinais comportamentais indicam, que iriam ficar representando o papel de paladinos da Justiça, e o tempo, que tem sido o melhor amigo dos políticos que saem impunes de todos os desmandos que cometem, ia tratar de fazer Adail ser solto, seus processos arquivados, suas ações esquecidas e seu retorno à cadeira de prefeito de Coari, com a devida e bem paga ajuda dos seus caríssimos advogados. Ledo engano, nada disso aconteceu.

E olha que os vereadores de Coari “trabalharam”, e muito, pra ganhar tempo. Toda semana surgia algo que ainda faltava para que eles (vereadores) pudessem elaborar o relatório final. Segundo eles, “a última e mais importante” atividade era ouvir o depoimento do prefeito, mesmo que a assessoria jurídica já tivesse enviado a defesa de Adail Pinheiro por escrito, e que eles já soubessem tudo aquilo que o prefeito iria falar no depoimento, que é inocente, que tudo não passa de “armação” de seus opositores, mas quando se fala em escuta telefônica não responde nem com reza braba se a voz é dele (Adail), apelando para o direito de ficar calado – porque se falasse que também é armação, ia estar dizendo que a insuspeita Polícia Federal também armou contra ele, não é mesmo? E aí a bronca é maior.

Mas, como o Radar, captou – mesmo os vereadores de Coari fugindo da imprensa igual capeta foge da cruz -, há duas semanas, eles foram ao quartel de Cavalaria da PM e ouvira o tal do depoimento do prefeito. E, mais 13 dias se passaram sem nada acontecer, porque os vereadores de Coari nem apareceram pra trabalhar, na terça (06) e na quarta-feira (07) da semana passada. Não houve sessão plenária nos dois únicos dias da semana em que eles se reúnem, por falta de quorum. Como o Radar captou (foto), os vereadores de Coari estavam todos em Manaus em reunião com o governador, José Melo, sob justificativa devidamente espalhada pela cidade por seus correligionários de que “tratavam de assuntos de interesse do município”. Mas, fontes do Radar já nos contaram que o assunto “Adail Pinheiro e Comissão Processante” foi o principal tema da pauta. A ordem é dar um jeito de não cassar Adail.

E para respaldar a decisão dos vereadores de não cassar Adail, nada melhor do que o prefeito em liberdade, como se a Justiça não tivesse encontrado nada contra ele – afinal o povo lá sabe o que é decurso de prazo (o mesmo que o prazo acabou e ninguém fez nada). E nada melhor, na visão deles, para pressionar algum membro do Judiciário a libertar Adail do que arquitetar uma grande mobilização popular, com milhares de pessoas nas ruas. Bem que o grupo de Adail tentou, fazendo pressão nos servidores públicos para que fossem às ruas, se não “iam se ver com o Adail” que seria solto semana passada, e que estaria até na manifestação de sábado (10)– a partir dessas informações é que conseguimos entender o porquê das camisas “parabéns amigo Adail”. Mas, Adail não foi solto e nem os mais de 10 mil servidores públicos foram às ruas, mesmo os contratados ameaçados de demissão.

Mas, agora, o Radar teve acesso a informações que mostram que a “Operação Salva Adail” está segura, com um acordo com os vereadores que já está sendo cumprido há dois meses, o Mensalinho pago com dinheiro da Prefeitura – que pelos valores distribuídos está mais para Mensalão – e que vamos contar pra vocês com números e forma de distribuição. Em apenas alguns minutos estará no ar! (Any Margareth)