Manifestantes fazem ato pró-impeachment de Wilson Lima em frente à Assembleia Legislativa do Amazonas (ver vídeo)

Foto: Rafa Braga

Representantes de associações de feirantes, camelôs, motoristas de aplicativo e autônomos, além de cidadãos que perderam familiares e amigos por falta de oxigênio nos hospitais,  fizeram uma manifestação, nesta terça-feira (16), em frente à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) em Manaus. O grupo de trabalhadores informais pede a reabertura gradual do comércio e o impeachment do governador Wilson Lima, um grupo de manifestantes responsabiliza o governador pela falta de planejamento e de ações que evitassem a falta de oxigênio nas unidades de saúde do Estado. Uma barreira de policiais tentou evitar que os manifestantes se posicionassem em frente ao prédio. Com a aglomeração, pelo menos uma faixa da avenida Mario Ypiranga foi interditada.

O presidente do Sindicato dos Feirantes de Manaus, Davi Lima, que diz que os feirantes estão protestando, juntamente com outras categorias porque não dá mais pra ficar em casa, já que todos estão passando por necessidades. “Os músicos estão sem trabalhar há seis meses, os camelôs há um mês, os feirantes em horário reduzido. Como ele vai fazer isso sem nenhum planejamento como ter criado linha de crédito, sem ter feito um cartão de auxílio para a população de verdade e não somente para alguns. É contra isso que estamos lutando. Não vai se salvar vidas dessa forma, vai prejudicar ainda mais.”, disse Lima.

Em determindo momento do ato público, os manifestantes denunciam que policiais fecharam a Avenida nos dois lados para que mais pessoas não poudessem chegar à manifestação. . Também lamentaram o fato de que a carreata pró-impeachment de Wilson Lima foi boicotada, pois deveria ser feita partindo do Sambódromo, mas a polícia bloqueou a passagem dos carros. Os manifestantes tiveram que andar até a frente da Assembleia Legislativa. “Nós estamos impedidos de fazer a mobilização em 70% porque a Polícia parou os nossos carros no Sambódromo. A Polícia fez a gente vir a pé pra cá. A gente estava se concentrando na Alvorada, na Loris Cordovil, e a polícia fechou o cerco e não deixou a gente passar, cadê o nosso direito de ir de vir?” diz Celso, mototaxista presente na manifestação.

Quem também esteve presente à manifestação foi o presidente do Sindicato dos Médicos, Mário Vianna, que responsabilizou o governador por muitas das mortes dos pacientes de Covid-19. “A pandemia escancarou que o Estado nunca teve uma gestão de saúde adequada pra atende a população. Então todas essas mortes, todos esse caos com uma gestão decente que não houvesse corrupção poderia ter sido minimizada. Possivelmente pessoas iriam morrer porque o vírus é letal, mas tudo poderia tr sido minimizado se houvesse uma gestão justa, correta, sem corrupção”, disse o médico.

Mario Vianna, assim como outras lideranças da manifestação, solicitaram a presença do presidente da Assembleia Legislativa  Roberto Cidade (PV) para que viesse falar com os manifestantes ou que deixasse estes ocuparem as galerias da Casa para todos serem ouvidos.
O presidente da Casa havia chamado as lideranças da manifestação para uma conversa dentro da Casa Legislativa. Porém, esses manifestantes recusaram a proposta, justificando que é um movimento sem liderança e pediram ao deputado-presidente da Aleam para que ele viesse à rua para ouvir a população. “Que nós ocupemos a galeria e as lideranças possam negociar na frente do povo, do trabalhador, não queremos nada escondido. Esse contingente que está aqui tranquilamente cabe nas galerias e abriríamos as negociações”, diz Mario.

Após essa mobilização, os manifestantes ainda permanecem na frente do Poder Legislativo pedindo para serem ouvidos pelo presidente da Aleam e afirmam  que somente sairão do local após o diálogo com Roberto Cidade.