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Maracanã vira palco de guerra antes e depois da decisão

O dia de um jornalista escalado para um jogo de futebol começa muito antes de a bola rolar. Hoje, por exemplo, começou logo cedo, com a informação de que o presidente Eduardo Bandeira de Mello teve de se desculpar com dirigentes do Independiente durante um jantar entre as diretorias na terça por causa da violência na porta do hotel dos argentinos, no Rio.

Mas, na verdade, a confusão de verdade começou antes. Em Buenos Aires, brasileiros foram chamados de macacos por torcedores do Independiente – a diretoria do clube se desculpou. Mas não adiantou. Na terça à noite, torcedores rubro-negros foram ao hotel do adversário. Alguns soltaram fogos, outros brigaram com argentinos.

Cheguei ao Maracanã por volta de 18h40. O clima era tranquilo, mas sabem aquela sensação de que a qualquer momento algo vai acontecer? Então. Era isso que eu e vários outros colegas sentíamos. Mas, sinceramente, isso também aconteceu antes dos jogos contra Botafogo e Cruzeiro, na semi e na final da Copa do Brasil.

Dessa vez, porém, tinha um agravante: os argentinos não estavam perdendo a chance de provocar. E todo o tipo de provocação – sem racismo. Um deles, bem perto de mim e de um amigo, cuspiu em torcedores rubro-negros, separados apenas por uma grade de segurança e poucos policiais.

Até então, só se via argentinos provocando brasileiro, brasileiro provocando argentino… Até que alguns torcedores do Independiente passaram caminhando por um grupo maior de flamenguistas. Começou, ali, bem antes de a bola rolar, todo o clima de guerra no entorno do Maracanã. Várias bombas foram lançadas pela Polícia Militar, que decidiu aumentar o espaço reservado só para os visitantes na rua Eurico Rabelo.

Depois disso, eu deixei a entrada dos argentinos e fui dar voltas no Maracanã – como toda vez algum repórter faz. Dessa vez, era eu.

Apesar de não ter nenhuma confusão na chegada de torcedores pelo metrô, o clima continuava estranho. Era clara a tensão no olhar de crianças e pais. No caminho para a Avenida Maracanã, andando pela Radial Oeste, dois torcedores seguraram minha mochila. Eu olhei para trás e os dois, rindo, saíram correndo. Nessa mesma hora, um outro homem pulou um portão e entrou no Maracanã sem ingresso. Começou o caos por causa de invasões.

A Polícia Militar, para afastar os torcedores, independentemente de quais torcedores sejam e quais suas intenções, joga bomba de efeito moral e gás de pimenta e atira com bala de borracha. O corre-corre é natural.

Acalmada a confusão na Radial Oeste, fui para a Avenida Maracanã – mais relatos de invasões. E, dessa vez, em grande quantidade. Chegando lá, o olho já ardeu. Mais sinal de briga. Mais sinal de gás de pimenta. A única solução era ficar na esquina, em frente à bilheteria 4, esperando o tumulto diminuir.

Mas o cenário não mudava. A todo momento, mais invasão, mais corre-corre, mais gás de pimenta, mais bomba de efeito moral, mais bala de borracha.

Parecia uma guerra sem fim e que só piorava. Tentei me aproximar algumas vezes, mas fui ameaçado, ouvi tiros de balas de borracha, fiquei no meio da multidão voltando da confusão… Porque, na verdade, a origem dessa guerra, os torcedores sem ingressos e querendo invadir, fugia e voltava, claramente desafiando a segurança.

Fonte: G1