“Marcha soldado, cabeça de papel…”, diz comandante da PM para deputados da Aleam

Minha cabeça pensante e brincante – a única coisa que me salva de não morrer de raiva em tempos de ódio e ignorância – não se conteve em visualizar a imagem do comandante geral da PM do Amazonas, o coronel Ayrton Norte, ordenando que os deputados da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) “marchassem” até o comando da PM se quisessem se reunir com ele. E como no meu processo de imaginação num falta nadica de nada, tinha até fundo musical: marcha soldado, cabeça de papel, se não marchar direito vai preso pro quartel”.

A cena pode até ser mera imaginação, mas não fica muito longe da realidade de uma situação em que o comandante da PM se negou a comparecer no Poder Legislativo para prestar esclarecimentos sobre o não pagamento do auxílio-fardamento e das promoções dos policiais militares. E o convite não foi feito uma vez só não! O coronel Ayrton Norte foi convidado várias vezes pelo deputado estadual Wilker Barreto com a devida aprovação dos demais deputados.

Ao invés de atender os pedidos, o coronel PM achou por bem mandar um ofício “convidando” os deputado a irem se reunir com ele na sede do comando geral da PM, numa mensagem subliminar daquele tipo: “se vocês quiserem venham aqui porque não vou aí, não!”

Agora é esperar pra ver se os membros do Poder Legislativo do Amazonas vão transformar o convite ao comandante da PM em convocação, determinando que seja obrigatória sua presença na Casa Legislativa ou se vão “marchar” até o quartel como quer o coronel Norte. Se vai prevalecer o Estado de Direito ou se vai prosperar no Amazonas o que está acontecendo no país interior, um Estado à parte, onde alguns militares fazem suas próprias leis e todos os demais representantes da República são tratados como soldados rasos.