Marina Silva: não precisa ser novo na política para trazer renovação

A ex-senadora e possível candidata ao Planalto, Marina Silva (Rede), afirmou em entrevista publicada pelo jornal Folha de S. Paulo nesse sábado (17) que novos nomes para a política são bem-vindos, mas ela acredita que “tem muita pessoa que está entrando na política pela primeira vez com práticas completamente ultrapassadas”.

Já experiente em cargos públicos e campanhas eleitorais, a fundadora da Rede é terceira colocada em pesquisa de intenção de voto realizada pelo instituto Datafolha. Ela sobe para a segunda posição no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, no segundo turno ela venceria o primeiro colocado do primeiro turno, o deputado Jair Bolsonaro (PSC).

Marina já havia afirmado anteriormente que não considera adequado uma pessoa sem experiência entrar na disputa pela Presidência. Sobre “essa história de que é preciso alguém de fora da política, ou alguém que seja apenas um gerente. É bem-vinda a contribuição, mas é preciso que se crie um processo de enraizamento. Os agentes políticos vão criando raízes em si mesmos, no contato com a população, com outros agentes. Você não faz política sozinho”.

Quando questionada sobre a decisão do apresentador Luciano Huck de não concorrer, a ex-senadora disse acreditar que “ele não estava colocado nesse lugar de candidato, estava sendo colocado”. “Você tem um caminho de construção. Huck, com certeza, deve dar continuidade ao trabalho nos movimentos dos quais ele está participando, de busca de novos quadros”, completou.

Apontada em eleições anteriores como representante da renovação, a ex-senadora garante que “isso não tem nada a ver com o tempo de participação na política. Isso tem a ver com encarar a política como um processo vivo, onde você não repete fórmulas”.

Sobre a possível não participação de Lula no pleito, com a qual seria uma das maiores beneficiadas, Marina é objetiva: “A eleição deve ser feita em obediência à lei. E a Lei da Ficha Limpa diz que os que não estiverem aptos de acordo com ela não podem participar da eleição. Eu insisto que a gente não pode ficar fulanizando as coisas, senão a gente cria pesos e medidas com base em quem está sendo julgado. A lei deve ser para todos, e a democracia se realiza quando a lei é para todos”.