Mario Mello, ex-secretário do Governo e escolhido de Melo para a vaga do TCE, vai julgar as contas do governo que o indicou

mario mello e José melo

O conselheiro Mario Manoel Coelho de Mello tomou posse no dia 03 de outubro do ano passado. Ele foi escolhido para o cargo de conselheiro pela maioria dos deputados da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). Mas, apesar da vaga de conselheiro ser destinada para livre escolha do Legislativo estadual, é de conhecimento público que a indicação do nome do alagoano, primo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, foi feita mesma pelo governador José Melo. Até pouco tempo antes de assumir o cargo de conselheiro do TCE, Mario Mello, era chefe da representação do Amazonas em Brasília, cargo que ocupou quase de forma vitalícia já que esteve nessa mesma função nos governos de Gilberto Mestrinho, Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e José Melo – mas se não foi vitalício no Governo, no TCE agora vai ser. E é exatamente o conselheiro Mario Mello, o escolhido para julgar as contas de Melo do ano de 2016.

Na época da votação na Aleam para escolha do nome que iria ocupar a vaga na Corte, o único deputado a votar contra a indicação de Mario Mello, o parlamentar petista José Ricardo Wendling criticou: ““Essa vaga era para ser de indicação da Assembleia, mas quem indicou foi o governador. Uma total ingerência do poder Executivo sobre o Legislativo. Fui o único a votar contra essa indicação. Defendo o fim da indicação meramente política para conselheiros do Tribunal de Contas, que devem ter autonomia e independência para fiscalizar o governador ou qualquer gestor público”, declarou Wendling.

E aquilo que o deputado previu à época, aconteceu. Ele disse que o agora conselheiro Mario Mello iria acabar julgando as contas dele mesmo, já que foi gestor público, e do governador que o indicou para o cargo. E ninguém se espante se o costumeiro julgamento, quando se trata de prefeitos e governadores, acontecer:  contas aprovadas com umas tais de ressalvas e recomendações. Semelhante ao que aconteceu com as contas do prefeito Artur Neto do ano de 2014, aprovadas exatamente desse jeito, onde a ilegalidade da falta de transparência nos gastos públicos virou uma mera recomendação para cumprir a Lei da Transparência, e ainda com o secretário de Finanças da Prefeitura Ulisses Tapajós, declarando que só lá pro mês de março a Prefeitura de Manaus ia começar a fazer isso. (Any Margareth)