Mas, em Rio Preta da Eva tem um ramal asfaltado, que custou R$ 8 milhões aos cofres do Estado, onde fica o sítio do professor José Melo

Enquanto as crianças do município de Rio Preto da Eva são impedidas de irem à escola porque os ramais estão intrafegáveis por causa dos atoleiros, o Radar tomou conhecimento, como por ironia do destino, que o antigo ramal do Banco onde fica o sito do governador professor José Melo, nem leva mais a denominação de ramal, passando a se chamar Rodovia Professor José Melo.

O asfaltamento do ramal com 20 quilômetros começou quando o professor José Melo ainda era vice do então governador Omar Aziz, em junho do ano passado, e custou R$ 8 milhões aos cofres do Estado pagos para a empresa Construtora Amazônidas, que teve como técnico responsável Eládio Messias Camelli Júnior – só pelo sobrenome Camelli não precisa nem explicar quem é, não é mesmo?. Essas e outras informações foram captadas pelo Radar através de uma matéria de outro colega jornalista, Elcimar Freitas, proprietário do site Fato Amazônico, que será reproduzida com a devida autorização do autor:

Ramais de Rio Preto da Eva estão esquecidos, mas o do sítio do governador José Melo, está asfaltado

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Uma imensa cratera toma do ramal do Iporá, no detalhe o ramal do sítio de José Melo, completamente asfaltado

Rio Preto da Eva – Os produtores dos ramais da Am 010 (Manaus/Itacoatiara) na altura do Rio Preto da Eva, cansaram de esperar por uma posição do governo do Estado, da prefeitura do município e do Incra e na manhã de ontem resolveram fazer uma manifestação na entrada do ramal do Iporá, o principal da estrada onde moram mais de 200 famílias, completamente esquecidas pelo poder público, que devido as péssimas condições do ramal não conseguem escoar sua produção.

A revolta se deu também por conta de que a menos de 3 quilômetros, o ramal do banco, no quilômetro 126, onde no final tem o sítio do hoje governador do estado, José Melo (PROS), está com seus 20 quilômetros completamente asfaltado.

Manifestação (1)

Moradores do ramal do Iporá, revoltados, realizaram ontem uma manifestação na estrada

Manifestação (2)

A obra, de acordo com a placa, custou aos cofres do Estado mais de R$ 8 milhões, que foram pagos a Construtora Amazônidas, que tem como técnico responsável o conhecido Eládio Messias Camelli Júnior, e teve início em 19 de junho do ano passado.

Ramais (7)

O ramal onde fica o sítio, do hoje governador e ex-vice, de acordo com os moradores é conhecido no local como Rodovia Professor José Melo. “Não chamamos mais de ramal é todo no asfalto e passamos a chamar de rodovia, uma estrada federal”, brincou um assentado, afirmando que os moradores dos ramais do Rio Preto da Eva, estão revoltados com os dois pesos e duas medidas usado pelo Governo no Estado do Amazonas.

Ramais (6)

Entrada do Ramal do Banco, batizado como Rodovia Professor José Melo

Ramais (5)“Esse asfaltamento começou quando o Melo, ainda era vice-governador e em tempo recorde foi concluído. Enquanto o nosso aqui do Iporã, está completamente acabado”, disparou outro assentado do principal ramal do Rio Preto da Eva.

Para José Aquizes, o “Quizinho”, morador há 22 anos do Iporá, o asfaltamento do ramal do Banco, onde tem o sítio de José Melo, é uma provocação aos demais assentados dos outros ramais que lutam há anos por uma melhoria nas vicinais para poderem escoarem a produção.

“Aqui quando a estrada estava em perfeito estado, nós vendíamos de tudo aos turistas que passavam para chegarem ao final do ramal onde iriam pescar no rio Preto. Mas hoje, completamente abandonado e esquecidos como estamos, não vendemos mais nada”, disparou.

Projeto esquecido

De acordo com os assentados havia um projeto, que foi esquecido, onde o Incra, Governo do Estado e Prefeitura do Rio Preto da Eva, asfaltariam todos os ramais começando pelos mais antigos, como Iporá, Novo Horizonte, Manápolis e outros, mas pelo contrário todos foram abandonados e apenas onde está localizado o sítio do hoje governador foi asfaltado.

Ramais (2)

“Essa é a revolta dos moradores”, disse um assentado, mostrando que na manifestação de ontem eles não cobraram não apenas do Incra, mas também do secretário de Produção, Eron Bezerra, que já deixou a secretaria para concorrer ao cargo de deputado federal nas eleições.

Alunos em risco

E o ramal do Iporá, o mais importante da estrada do Rio Preto da Eva, onde já foi a Fazenda Reunidas e a Capemi, hoje está completamente abandonado. A reportagem do Fato Amazônico esteve no local ontem à tarde e encontrou trechos completamente comprometidos, ladeiras imensas, lama e mais ou menos no quilômetro 10, uma placa da Secretaria de Infraestrutura do Município, mas ao invés de obras encontramos parte da estrada desmoronando.

Ramais (5)

O local, onde está um imenso desmoronamento, tem hoje um abismo de mais de 100 metros de profundidade e deixa os assentados todos os dias preocupados com a segurança de suas crianças que pegam o ônibus escolar.

Ramais (4)

“Temos de nos apegar com Deus, para nossas crianças sejam levadas com segurança”, disse um morador, afirmando que quando chove sua preocupação com as crianças ainda é maior. “Fico imagino o ônibus descendo a ladeira”, acrescentou, afirmando que o governo do Estado, que asfaltou de ponta a ponta todo o ramal do sitio do hoje governador José Melo, deveria se preocupar com a vida das crianças que moram no Iporá.