Mateus Carrilho diz que artista LGBTQIA+ tem que ‘lutar e resistir’

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Mateus Carrilho, 32, afirma não ter como definir a sua nova fase musical sem citar Inês Brasil, 51, já que “o bagulho é louco, mas é gostoso”. Agora, mais seguro e decidido sobre o que quer para si mesmo e para a carreira, o artista prepara seu primeiro álbum e promete ocupar cada vez mais espaços.

Ex-vocalista da Banda Uó, Carrilho diz que o início da carreira solo aconteceu de maneira rápida e que ele precisava de um tempo para se entender. Afirma ainda que seu último single, “Pancada”, em parceria com a cantora MC Dricka, 22, considerada a rainha dos fluxos, foi a largada para mostrar isso ao público.
“Sei muito mais sobre o que estou fazendo”, diz o cantor, que tem incorporado diversos ritmos latinos, como o rave funk, que já pôde ser visto em seu último trabalho, até o reggaeton. Segundo ele, esse mix de estilos musicais o acompanha desde a Banda Uó. “Meu disco e as próximas músicas vão ter de tudo.”

Carrilho afirma que a ideia do novo álbum também é reunir muitas parcerias que possam “incluir um novo olhar para o meu trabalho”. Ele cita Dricka, artista que esteve na Times Square como artista destaque do Spotify, e quem já admirava pelas músicas, voz e estilo.

Nesta sexta-feira (25), o cantor lançou um vídeo mostrando a produção do videoclipe de “Pancada”. Nele, são ressaltados os cuidados com a Covid-19, as referências aos anos 2000 e o local de gravação, que foi em um ferro-velho em São Paulo.

“Foi assim também com Pabllo Vittar, quando eu trabalhei com ela, e com a Duda Beat”, lembra o artista sobre os singles “Corpo Sensual” (2017), gravado com a drag queen, e “Chega” (2019), em parceria com a rainha da sofrência pop e Jaloo.

O artista possui 456 mil ouvintes mensais no Spotify e acumula 197 mil seguidores na plataforma. “Privê” (2018), seu single de lançamento da carreira solo, tem mais de 11 milhões de streams. Sua música com mais streams é a colaboração que fez em “Chega”, com 20 milhões.

Carrilho esteve na Parada do Orgulho LGBT, celebrada no domingo passado (13), que assim como a de 2020, aconteceu de forma remota. A parada deste ano abordou o tema do HIV. Para o cantor, é essencial ter representatividade do público LGBTQIA+ em todas as épocas do ano, não apenas no mês do orgulho.

“Vivemos, usamos roupas e bebemos bebidas o ano inteiro. Essa representatividade tem que aumentar”, diz ele, ao citar Elza Soares, 90, para dizer que “melhorou, gente. Não está bom ainda não, mas melhorou” quanto a questão de pessoas LGBTQIA+ ocuparem novos espaços.

Ao rememorar o passado e a trajetória na Banda Uó, Carrilho diz “que, sem dúvida, se nós não fôssemos LGBT a coisa teria ido muito mais longe”. O grupo musical era composto por, além de Carrilho, Candy Mel e Davi Sabbagde. “Se não fôssemos três jovens LGBTs, a oito anos atrás, as coisas teriam acontecido com muito mais grandiosidade.”

Como ponto atrelado a representatividade, o cantor afirma ser essencial trazer posicionamentos para os fãs. “Se você não se posiciona, você já está se posicionando. E eu, enquanto artista LGBTQIA+, tenho que lutar e resistir.”

Carrilho afirma ser um dever das personalidades famosas de se posicionar sobre os diversos assuntos, incluindo os da esfera política, pois é uma forma de ampliar espaços para comunidade gay, que tantos lutaram para ter. Diz ainda ser uma forma de levar informação para os fãs e mostrar a sociedade de que não pode regredir. “Precisamos ser a força e a mudança.”

“Em momentos tristes e obscuros como a pandemia de Covid-19 é importante ter um norte e se sentir representado”, diz. Para ele, seu novo single funciona “quase como uma pancada em mim mesmo, para seguir em frente”.

O artista relembra que a própria produção de “Pancada” foi mais longa e precisou de um investimento maior em decorrência do coronavírus. Ele afirma que apesar de o set de filmagens ter sido menor e mais enxuto, foi um momento importante e de felicidade, já que estava há um ano sem lançamentos e clipes.

Carrilho diz que ainda busca um caminho para sua carreira solo. Ele explica que, durante os últimos anos em atividade como artista solo, precisou entender como compor um disco, trabalho que levou com muita responsabilidade para, enfim, ter o sentimento de pertencimento.

“Isso daqui é meu, ninguém tira isso de mim e eu vou fazer o que eu quero fazer, o que eu sei fazer”, diz o cantor, que se preparou por três anos para lançar seu primeiro álbum.

A música não é a única paixão do cantor. Ele conta que sempre amou moda e que há uma relação direta dela com sua estética. “Sempre gosto de quem é diferentão”, diz Carrilho citando como ídolos o rapper Tyler, The Creator, Frank Ocean, o espanhol C. Tangana e Bad Bunny.
Para o futuro, Carrilho sente estar no melhor momento da carreira e que foi fundamental se entender como artista. Para ele, sua nova era será “tudo nas nossas vidas.”