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Médica conta sobre a estrutura caótica para atendimento de grávidas suspeitas de Covid-19 (ver vídeo)

Através de vídeo enviado ao Radar, nesta segunda-feira (23), profissionais de saúde mostram o que estão tendo que enfrentar durante essa pandemia de coronavirus, diante da falta de condições de trabalho e falta de estrutura das unidades de saúde publica do Estado. A situação fica ainda mais caótica quando é o caso de mulheres grávidas suspeitas de infecção por coronavírus, como mostra uma médica da Maternidade Ana Braga, que fica na Avenida Cosme Ferreira, zona Leste da capital. Segundo a médica da unidade hospitalar, faltam leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e até tomada de 220v para realizar um simples exame de radiografia do tórax nos pacientes. (ver vídeo no final da matéria)

Segundo a médica que faz parte de uma UTI na Ana Braga, sua equipe de trabalho esteve em contato com uma paciente gestante de 27 semanas que é estrangeira e suspeita de ter a Covid-19, sem a devida proteção e treinamento prévio adequado.

“Foram tomadas as condutas clínicas para estabilidade do quadro em uma sala de emergência totalmente desestruturada no aparato físico. Equipe de trabalho sem treinamento prévio de urgência e emergência. Até o presente momento não foi realizado o exame de radiografia do tórax por não encontrar a tomada de 220v??”, reclamou.

Ainda segundo ela, mesmo com a determinação da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) sobre os pacientes sintomáticos passarem pelos protocolos de admissão e segurança, só teria sido colocado máscaras na paciente grávida e no esposo, após pedido da médica, o que pode ter exposto a equipe e os demais pacientes na unidade. “Essa é a unidade de referência para as grávidas e puérperas suspeitas de Covid-19?”, questionou a profissional.

A situação torna-se ainda mais grave quando a médica relata ao Radar o fato da maternidade possuir apenas quatro leitos de UTI, que já estariam sendo ocupados por outros pacientes de urgência. “Não há disponibilidade de leitos aqui e nem em nenhuma maternidade que faz suporte à unidade hospitalar para isolar a paciente grávida suspeita da doença e nem EPI para uma possível intubação orotraqueal, caso o quadro evolua para uma insuficiência respiratória”, afirma a médica.

“Foi feito parecer para dar assistência a paciente porque ela necessita de um leito. Tentamos em outra unidade que também dá assistência às grávida, mas também está lotada. Onde vamos colocar as nossas grávidas?”, indagou.

Resposta

A maternidade Ana Braga informa que, ao dar entrada na unidade, a paciente estava dispneica (falta de ar) e foi encaminhada para a sala de emergência onde foi avaliada por um médico intensivista. Na avaliação, o médico descartou síndromes virais, inclusive o novo Coronavírus (Covid-19). A Insuficiência respiratória foi provocada pelo edema agudo de pulmão, hipertensão e pré eclampsia. No domingo, a gestação foi interrompida e o quadro da paciente é estável.

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) ressalta que grávidas e neonatos com complicações do novo coronavírus serão direcionados para a unidade de referência, o Hospital Delphina Aziz. Os atendimentos de rotina são realizados nas maternidades e o pré-natal na rede básica de saúde.

O Uso de EPIs nas unidades é regulamentado pela Anvisa que destaca em nota técnica qual o equipamento indicado para cada tipo de atendimento, sendo estas recomendações seguidas nas unidades de saúde do Estado.

A Susam também informa fez a aquisição de EPIs suficiente para abastecer as unidades da rede estadual. Esse abastecimento é feito conforme a necessidade de cada unidade e o tempo em que os produtos vão sendo entregues pelos fornecedores. O que a Susam tem recomendado é o uso racional desse material para que não haja falta no futuro.