Melo reclama do subsídio para o transporte público, mas já deu quase R$ 7 bilhões às empresas privadas, diz Artur

Em reposta às reclamações e ao corte de subsídios para as empresas de trasporte público de Manaus, pelo governador José Melo (PROS), o prefeito Artur Neto (PSDB), em entrevista coletiva concedida nessa quinta-feira (16) apontou cifras que atingem a casa dos bilhões em renúncia fiscal do mesmo Governo de Melo, só que para empresas privadas do setor de transporte. Tendo em mãos um levantamento dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado, Artur apontou números que somam quase R$ 7 bilhões ao ano ao setor privado. O  prefeito questionou os reais interesses do governador no corte da isenção fiscal sobre o óleo Diesel e o IPVA, concedido ao Sistema de Transporte Coletivo da capital.

O que disse o prefeito, me fez vir à mente, o discurso do, à época, deputado estadual Marcelo Ramos (antes PSB, hoje PR), durante votação na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) de projeto do Governo de Omar Aziz (2012) que aumentou a alíquota de ICMS da cesta básica de 1% para 17%. Marcelo Ramos denominou o então governador Omar Aziz de Robin Hood às avessas, aquele que tira dos pobres pra dar pros ricos – no caso do herói inglês fora da lei, ele roubava da nobreza para dar aos pobres – nas eleições passadas o Hobin Hood às avessas virou um dos principais apoiadores de Marcelo Ramos, né mesmo gente?

Lembrei disso porque, levando-se em consideração o que foi dito pelo prefeito, Melo é mais um Hobin Hood às avessas. Ao lado do vice-prefeito Marcos Rotta e da primeira-dama Elisabeth Valeiko, o prefeito fez duras críticas ao esquema de subvenção fiscal oferecido pelo Governo do Estado, acusando o governador de promover o enriquecimento de empresários do transporte privado, sobretudo da aviação, enquanto corta o incentivo oferecido ao transporte coletivo da capital.

“Ele concede quase R$ 7 bilhões de incentivos fiscais por ano e se nega a conceder cerca de R$ 43 milhões para promover o barateamento da tarifa de transporte coletivo”, questionou Arthur Virgílio. “Não consigo entender qual foi a lucidez, onde está a inteligência e a preocupação efetiva com a coisa pública nesse episódio. O governo considera mais correto, mais justo e mais ético fazer esse tipo de incentivo do que ajudar quem utiliza ônibus na cidade, que é capital deste Estado”, completou.

Ao detalhar a política de isenção de ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – oferecido pelo Estado, o prefeito disse que Manaus tem sido lesada sistematicamente ao longo dos últimos anos. Ele explicou que, dos quase R$ 7 bilhões de isenções fiscais, 25% são dedicados aos municípios e demais poderes, como Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça, Ministério Público e outros. Dessa parcela, apenas 75% é destinada para Manaus. Atualmente, o Sistema de Transporte Coletivo da capital conta com cerca de 900 mil usuários diariamente.

Vale ressaltar, ainda, que o benefício de quase R$ 43 milhões destinado para o transporte coletivo da capital já está aprovado na Lei Orçamentária Anual, pela maioria parlamentar da Assembleia Legislativa do Estado Amazonas (Aleam).

“Eu vejo o governador muito estimulado, insuflado por alguém, a brigar comigo. Eu não tenho a menor intenção de brigar com ele, porque nós temos uma gestão para fazer, pautada no ajuste fiscal, nas parcerias público-privadas e nas concessões onerosas que vamos fazer para realizar o projeto ousado de modernização da mobilidade urbana de Manaus”, destacou Arthur Virgílio.

O prefeito pediu, mais uma vez, para que o governador José Melo recue de sua decisão e deixe de lado qualquer disputa política. “Será que não se conformam com o fato de que renovação na prefeitura só em 2020? Será que não pensam que teríamos que trabalhar em conjunto? Esse seria o ideal, pensando no interesse do povo ao invés de interesses políticos pequenos. Eu estou aqui para governar e vou governar Manaus com muita garra para defender o interesse da população”, ressaltou.

Tratamento médico

Ainda durante a coletiva de imprensa, o prefeito Arthur Virgílio Neto revelou que está realizando exames médicos para tratar de um câncer de próstata descoberto recentemente. Ele explicou que passa por acompanhamento em São Paulo e Brasília, por isso tem tido a necessidade de se ausentar por alguns dias da cidade, mas que não pretende pedir afastamento do cargo por longa data.

Segundo prefeito, o tratamento contra o câncer já está em andamento e em meados de abril será submetido a um procedimento cirúrgico. “No dia 31 de março meu pai fará 30 anos de falecimento e quero lhe prestar uma bonita homenagem. Depois disso irei fazer o que for preciso para derrotar essa doença”, confidenciou.

“O mais difícil foi enfrentar essa campanha com tanta gente contra, com tanta difamação e que machucou tanta gente. O câncer não vai ser capaz de deter um só milímetro da minha vontade de trabalhar por Manaus”, finalizou o prefeito emocionado e ovacionado pelo público presente.

Com informações da Semcom 

Fotos: Alex Pazuello / Semcom