Membro da comissão de transição de Wilson Lima fechou farmácias populares e já foi alvo de pedido de prisão

O médico infectologista David Uip, anunciado pelo governador eleito Wilson Lima como um dos mais renomados especialistas que fazem parte da comissão de transição do novo Governo, é apontado como um dos responsáveis pelo fechamento das Farmácias Dose Certa, em São Paulo, e já teve um pedido de prisão pela falta de fornecimento de um medicamento.

Em 2016, David Uip e o então ministro da Saúde, Marcelo Castro, tiveram o pedido de prisão feito pelo Ministério Público Federal de Marília, em São Paulo, após o Estado e a União deixarem de fornecer o canabidiol.

Na época, eles descumpriram uma decisão judicial que determinava o fornecimento do medicamento a crianças e adolescentes portadores de encefalopatia epiléptica e síndrome de lennox-gastaut na região de Marília.Por conta da interrupção do tratamento, os pacientes voltaram a apresentar crises de convulsão.

O infectologista já foi secretário de Saúde de São Paulo por pelo menos cinco anos durante a gestão de Geraldo Alckmin, além de ter participado das direções do Instituto do Coração (Incor) e do Hospital Emílio Ribas. Ele será o responsável por fazer reunir os dados sobre a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) para municiar o governo de Wilson Lima.

Mas, em 2018, David Uip foi demitido pelo governador do Estado de São Paulo, Márcio França (PSB). De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Químicas, Farmacêuticas, Abrasivos, Material Plástico, Tintas e Vernizes de Guarulhos (Sindiquímicos) chegava “ao fim a cruel saga do secretário”.

“Durante os sombrios anos em ocupou a cadeira de secretário estadual da Saúde, David Uip juntamente com sua equipe, deflagrou uma onda de desrespeito aos trabalhadores da Fundação para o Remédio Popular (FURP), com o sucateamento da empresa, desrespeito à Convenção Coletiva de Trabalho, sem reajuste salarial e do cartão-alimentação, consequentemente, prejudicando sensivelmente a família destes trabalhadores”, afirmou o Sindicato em material publicado no site oficial do Sindiquímicos após a demissão de Uip.

De acordo com o Sindicato, Uip foi o responsável pelo fechamento das Farmácias que atuavam no programa Dose Certa que fornecia gratuitamente medicamentos fabricados pela FURP para a população de baixa renda.

Durante sua gestão como secretário de Saúde, Uip teve que lidar com vários protestos de profissionais da área. Em 2016, por exemplo, 120 funcionários da FURP e Farmácia Dose Certa, diretores do Sindiquímicos Guarulhos e demais entidades sindicais realizaram um protesto em frente ao Palácio do Governo, no bairro do Morumbi, zona Sul de São Paulo.

Eles reclamavam, entre outros, o pagamento do reajuste salarial a cerca de mil funcionários, além de denunciar o sucateamento do laboratório da Fundação para o Remédio Popular e indicar possíveis irregularidades nas contratações.

“Desativam a lavanderia e contratam uma empresa do Rio de Janeiro para fazer o serviço de limpeza dos uniformes dos funcionários, mas eles voltam sujos. Depois desativam a câmara fria, onde são guardados alguns medicamentos, e outra empresa do Rio de Janeiro assume o serviço. Por meio de uma PPP (Parceria Público Privada) outra empresa assume a produção de remédios na unidade de Américo Brasiliense (SP), que os vende para a Furp. Algo está errado nessas histórias. É preciso uma Lava Jato no governo Alckmin”, disse, na época, o presidente do Sindiquímicos Guarulhos, Antonio Silvan Oliveira.

O Sindicato denunciou, ainda, a nomeação para gerência Geral da Divisão Administrativa e Financeira da Furp de Luis Ricardo Strabelli, indicado pelo então secretário da Saúde de São Paulo, David Uip. Strabelli é marido de Tânia Maria Strabelli, médica que trabalhava na clínica particular de Uip na capital paulista.