Mesmo com ajustes de possível governo Temer, economia só deve melhorar em 2018

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A admissibilidade do processo de impeachment na Câmara dos Deputados deixa a presidente Dilma Rousseff próxima de ser afastada do cargo por um período de até 180 dias. Para que isso aconteça, é necessário que metade dos senadores aceite o pedido. Nessa hipótese, o vice-presidente, Michel Temer, assume a presidência e pode promover os ajustes que considerar necessários.

No setor econômico, Temer deve buscar novos nomes para assumir a Fazenda, o Planejamento e a presidência do Banco Central e tem a missão de recuperar o crescimento, segurar a inflação e conter a taxa de desemprego.

De acordo com economistas, Temer deve focar seu plano de governo nas medidas de ajuste fiscal, caso assuma o principal cargo Executivo do País. Ainda assim, os analistas avaliam que a situação econômica só deve começar a melhorar no ano que vem.

Para o coordenador de estudos pós-graduados em economia política da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), Antônio Correa de Lacerda, a retomada de crescimento “não será automática” e vai depender da política econômica adotada para que a recuperação aconteça a partir de 2017.

— A recessão deste ano está dada com qualquer governo. Nós já estamos em abril e você não vai conseguir reverter esse quadro em um curto prazo.

O professor de economia da FGV (Fundação Getulio Vargas) Mauro Rochlin afirma que, independentemente do nome que assumir a presidência, o mais importante é enfrentar a questão fiscal para ajustar as contas do governo. Ele reforça que a reviravolta causada pela reforma não é momentânea, mas avalia que Temer teria a força política e a base parlamenta suficientes para aprovar essas medidas “antipopulares”.

— Não vai ser um band-aid, como a CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira], que vai resolver todo o problema fiscal em poucos dias. Então, as propostas têm que encaminhar no sentido de pensar gastos sociais e estabelecer uma idade mínima para a Previdência. Ou seja, uma série de propostas que o PT e os movimentos pessoais rejeitam claramente.

Lacerda também classifica os ajustes como importantes, mas ressalta que “o grande desafio” de um eventual governo Temer será o de “conquistar as condições de governabilidade”.

— Foi vendida uma ideia de que o problema era a Dilma e que tirando ela tudo estaria resolvido. Mas a verdade não é essa. A gente tem problemas muitos mais amplos do que simplesmente tirar a presidente.

As medidas de ajuste fiscal, como a reforma na Previdência, eram fortemente defendidas pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, que saiu do cargo após a desaprovação da meta fiscal do governo. Rochlin tem um ponto de vista similar ao do ex-ministro e afirma que o ajuste no sistema de pensões e aposentadorias tende a ser um pontapé inicial para estreitar os laços entre o governo e o mercado.

— Se é aceita uma reforma da Previdência e o governo estabelece um planejamento para redução de despesas como proporção do PIB, o mercado vai perceber que o governo ajustou algumas variáveis de despesas para garantir sua solvência a longo prazo.

Fonte: R7