Mesmo com orçamento de R$ 3 bilhões da Seduc, escolas no interior estão ‘caindo aos pedaços’ e alunos comem conserva (ver vídeo)

Além das péssimas condições de infraestrutura da unidade de ensino, os alunos sofrem com a falta de alimentação nutritiva

Imagens mostram escola com problemas estruturais e latas de conserva que foram servidas na merenda escolar

Escolas caindo aos pedaços, salas de aula sem climatização, ônibus escolar sucateado e alunos sendo alimentados com carne enlatada em conserva, essa é a realidade de escolas públicas do Amazonas no atual governo do Estado. O que o Radar já vem mostrando nesses quase três anos do governo de Wilson Lima virou tema também de discursos dos deputados de oposição Dermilson Chagas e Wilker Barreto, ambos do Podemos, durante sessão plenária desta quarta-feira (13), após os parlamentares voltarem de viagem ao interior do Estado.

De acordo com dados do Portal da Transparência, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto do Amazonas (Seduc-AM), que atualmente está sob o comando de Kuka Chaves, possui orçamento de quase R$ 3 bilhões para o exercício financeiro deste ano. Mesmo com tanto dinheiro destinados à educação pública, várias escolas do estado sofrem com a falta de estrutura e condições mínimas para garantir um ensino de qualidade aos estudantes.

Em fiscalização na Escola Estadual Deputado Armando Mendes (GM3), localizada no município de Tefé (a 520 km de distância de Manaus), Dermilson Chagas identificou a situação de abandono que a unidade se encontra.

“Ao chegar na unidade, encontrei centenas de livros ao relento. E o que mais me chama atenção é que a alimentação dos estudantes é feita com conserva e arroz, isso é uma alimentação adequada para os estudantes?”, denunciou o parlamentar.

De acordo com o deputado, não havia local adequado para o armazenamento dos livros, que por conta disso, ficaram expostos na quadra da instituição. Além disso, a escola também apresentava paredes descascando e estava com seu telhado danificado.

Vale destacar, que a empresa Pafil Construtora e Incorporadora Ltda, possui um contrato de R$ 26,2 milhões em vigor com a SEDUC para manutenção predial das escolas públicas do Amazonas. Wilker e Dermilson, em tom tragicômico, abordaram que o contrato foi feito através de um ‘pregão relâmpago’ que foi aberto no dia 30 de abril de 2019.

“Essa Pafil é aquela empresa que ganhou a ata de adesão quase meia-noite. Um trabalho de excelência da Seduc e sua comissão de licitação que estava trabalhando até meia-noite.”, disparou Wilker Barreto, de forma irônica

Dermilson afirmou que vai levar a denúncia ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) para que o caso seja fiscalizado e ainda cobrou um posicionamento de Kuka Chaves com relação a situação precária da escola

“Eu vou denunciar isso no Tribunal de Contas. É uma escola que chove mais dentro do que fora, enquanto a secretaria tem mais de R$ 3 bilhões de orçamento. Eu só queria entender cadê o dinheiro da manutenção. Será que a secretária Kuka Chaves não está vendo isso? Será que a Parfil não está indo em Tefé?”, relatou o parlamentar.

Alimentação inadequada

Algo que chamou atenção na denúncia apresentada pelos deputados, é que a principal alimentação oferecida aos alunos da instituição de ensino é carne enlatada, conhecida apenas como ‘conserva’.

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que alimentos como esse, são grandes responsáveis pela contaminação alimentar e causadores de doenças como hipertensão e infecção pulmonar.

Câncer no estômago e, principalmente, no colorretal (tipo de tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso), são também motivados pela ingestão de embutidos como mortadelas, salsichas, linguiças e enlatados.

Estudantes passando mal

A Escola Armando Mendes não é a única instituição a sofrer com a falta de atenção do Governo do Amazonas. Conforme o Radar mostrou recentemente, a Escola Santa Thereza, que também fica no município de Tefé, também vivencia um descaso.

Alguns alunos da instituição chegaram a passar mal por conta da falta de climatização das salas de aula. Imagens feitas pelos próprios estudantes comprovam a gravidade da situação.

Questionada sobre a situação precária das escolas de Tefé, a Seduc não se manifestou até a publicação desta matéria.