Mesmo “crivado” de críticas, deputado PM Platiny defende “Medalha do Mérito” para deputado federal capitão Bolsonaro

José, Platiny e Alessandra 2

Mesmo sendo atacado de tudo que é lado por causa da homenagem que pretende fazer para o deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro, mas paulista de Campinas de nascimento, capitão do Exército da reserva, Jair Bolsonaro, o deputado estadual PM, Platiny Soares, não recuou na sua decisão de condecorá-lo com a medalha da “Ordem do Mérito Legislativo da Assembleia Legislativa do Amazonas” – mesmo Bolsonaro nem gostando de índio e sendo a favor da invasão de terras indígenas pelos “homens brancos”.

Vale lembrar que a entrega da honraria teve o aval da grande maioria dos seus colegas de Parlamento, alguns parecem nem ter se dado conta de que na ocasião votaram a favor da proposta. No seu partido, o PV, que também parece filiar membros sem se dar conta de suas convicções pessoas e políticas, está meio mundo irritado, e há ameaça de expulsar o deputado PM. Afinal, Jair Bolsonaro é contra tudo aquilo que o Partido Verde diz pregar politicamente. Bolsonaro é, assumidamente, homofóbico, racista, não gosta de pobre que reclama por direitos, de sem terra que para ele são “terroristas disfarçados” – a não ser que a invasão seja em terra de índio -, de trabalhadores sindicalizados, é a favor da Ditadura Militar – mesmo dizendo que generais do Exército são borra-botas que se dobram para civis – e até usa o estupro para fazer calar uma parlamentar congressista.

Críticas e justificativas

A deputada Alessandra Campêlo (PC do B) classificou de “constrangimento” a entrega da medalha de Mérito Legislativo para o capitão Bolsonaro. Além de destacar que Bolsonaro não prestou nenhum serviço relevante ao Estado, a deputada apontou vários motivos pelos quais merece o repúdio da sociedade amazonense, tais como: “ele é homofóbico; defende o golpe militar; é misógino (despreza o gênero feminino); declarou que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RJ) porque ela “não merecia”; é contra os direitos humanos; ofende as mulheres e indígenas; é abertamente a favor da tortura”.

Alessandra lembrou que o PC do B é contrário à homenagem e advertiu que diversas entidades e movimentos sociais já avisaram que vão protestar na Assembleia caso seja mantida a proposta de homenagem ao polêmico deputado.

Em coro com Alessandra, o deputado petista José Ricardo Wendling repudiou a entrega da medalha a Bolsonaro e sugeriu à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa da Assembleia Legislativa, bem como à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AM), que se manifestem pelo cancelamento da referida homenagem, que “deve ser concedida para pessoas que prestaram relevantes serviços vinculados ao cumprimento do interesse público para o Estado do Amazonas”.

Outro que não gostou nadinha da homenagem a Bolsonaro foi o deputado Luiz Castro que denominou a escolha de equivocada. Aos demais parlamentares restou o silêncio obsequioso de quem votou a favor de tal proposta de honraria ou justificativas como a do deputado Bosco Saraiva que disse aceitar a entrega da medalha por se quedar ao Estado de Direito – o mesmo Estado de Direito que o deputado capitão Bolsonaro despreza.

Já o deputado PM Platiny Soares pareceu nem se abalar com as críticas. Ele n ão só manteve a entrega da honraria como foi à tribuna da Assembleia defender a entrega da medalha para Bolsonaro. Para ele, Bolsonaro merece ser homenageado apenas por seu “posicionamento de combate ao crime organizado”. Ele também destacou o fato de Bolsonaro ser “um homem de conduta ilibada”, parecendo desconhecer que o significado de conduta ilibada é agir corretamente, com moral, integridade e com honra. Será que a conduta de Bolsonaro pode ser classificada assim? (Any Margareth)