Mesmo Governo afirmando que não existe crise, secretário vai à reunião do Comitê de Crise no MPF e ouve desmentidos de tudo que é lado

MPF 2

De um lado, o governador José Melo, em tudo que é entrevista, rechaça taxativamente que exista crise na área de saúde do Estado, apelando para a teoria da conspiração, – sabotagem contra o pobre e humilde filho de seringueiro” – estratégia muita usada por seu aliado político, o prefeito Artur Neto, que passou todo o seu mandato alegando perseguição do Governo Federal do PT contra os prefeitos do PSDB para não ter cumprido praticamente nenhuma de suas promessas de campanha – A culpa é da Dilma! Mas, se não existe crise, e sim sabotagem, pra quê participar de um comitê para combater a crise na saúde pública, não é mesmo? Pois, essa lógica parece não existir na cabeça do Secretário de Saúde, médico Pedro Elias de Souza, que demonstrou raciocínio diferente do Chefe do Executivo estadual. Ele foi à reunião de implantação do “Comitê Gestor da Crise na Saúde Pública”, realizada no Ministério Público Federal (MPF), nesta terça-feira (12), e ouviu, sem contestação, sobre o caos na saúde que o governador diz não existir.

Já de início o secretário Pedro Elias teve que ouvir reclamações por parte da Defensoria Pública sobre a “falta de comprometimento da Secretaria de Saúde em dar retorno às decisões judiciais. Em coro com a Defensoria Pública, a procuradora Bruna Menezes do MPF, registrou a mesma indignação. Os sindicatos e organizações de servidores da Saúde presentes à reunião do comitê anticrise mantiveram todas as denúncias feitas publicamente na presença do secretário e de representante da Procuradoria Geral do Estado que também estava lá.

O presidente do Sindicato dos Médicos, Mário Viana, disse que o atraso dos pagamentos dos profissionais, como médicos e técnicos de enfermagem, é o ponto mais preocupante: já são três meses que servidores não recebem seus salários – mas o governador não disse que honrou todos os seus compromissos?

“As condições de trabalho desses profissionais, no sentido de suporte, de medicamentos, na área clínica-cirúrgica e toda a estrutura de exames está defasada, o que nos impede de atender bem à população”, afirmou Viana.

Quanto a suposta sabotagem que o governador José Melo diz existir, Mário Viana sinalizou que é bom mesmo o gestor mandar investigar, mas o que encontrará são equipamentos antigos e sem a manutenção necessária.

Como autor de representações ao MPF e ao Ministério Público do Estado (MP-AM) sobre atraso nos pagamentos salariais de profissionais de saúde, o deputado estadual Luiz Castro (Rede) participou da reunião.  O parlamentar questionou o secretário de Estado de Saúde (Susam), Pedro Elias, e apresentou sugestões, inclusive para o interior do Amazonas.

Para Luiz Castro, é a hora de o Governo priorizar a Carreira de Estado de Médico, de sua autoria e aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa (Aleam).

“Há uma série de ações que precisam ser implementadas para ontem. Assim como na Fundação Cecon, que o Governo está intervindo, o executivo precisa também ser mais ágil em relação ao Pronto Socorro João Lúcio, ao 28 de Agosto e ao Adriano Jorge. E principalmente: tem que pagar o que deve para os profissionais de saúde da urgência e emergência”, assinalou o parlamentar.