Mesmo matando uma e ferindo três pessoas, Sotero insiste em “legítima defesa”

O delegado Gustavo Sotero, acusado de matar a tiros o advogado Wilson Justo, em novembro de 2017 no Porão do Alemão, está sendo interrogado nesta sexta-feira (29), terceiro e último dia de julgamento. Mesmo tendo matado Justo e ferido mais três pessoas, entre elas a esposa do advogado, Sotero reafirma a tese que os disparos foram em legítima defesa.

Durante o interrogatório, que acontece neste momento no Fórum Ministro Henoch Reis, o promotor de Justiça Jorge Pestana questionou se no dia da ocorrência Gustavo Sotero havia consumido bebida alcoólica, o réu negou esta hipótese. “Não consumi. A dose que eu peguei no bar caiu no momento da briga, e uma ficha ficou no meu bolso”, afirmou Sotero.

No entanto, o promotor informou que o relatório do Porão do Alemão mostra que o delegado comprou duas fichas de Whisky às 00h35 e outras duas fichas foram compradas às 01h06.

Ainda durante o interrogatório, o promotor trouxe à tona a afirmação feita pelo proprietário do Porão do Alemão, de que Gustavo Sotero costumava ir ao local para “caçar”, ou seja, paquerar. Sotero rebateu afirmando que ia à casa noturna duas vezes por semana.

Programação

Após o interrogatório, ocorrerão os debates entre a defesa e acusação, a quesitação e prolatação da sentença. O julgamento teve início na última quarta-feira (27) e a sentença deve ser determinada ao final desta sexta. O delegado também será julgado por tentativa de homicídio contra a esposa de Wilson, Fabíola Rodrigues Pinto de Oliveira, Maurício Carvalho Rocha e Yuri José Paiva Dácio de Souza, que também acabaram sendo baleados no dia do ocorrido.

O Conselho de Sentença é formado por sete jurados (5 homens e duas mulheres). O Ministério Público do Estado do Amazonas está representado pelo promotor de justiça George Pestana. A defesa do réu está sendo feita pelo advogado Cláudio Dalledone.