Mesmo tendo recebido mais de R$ 195 milhões do governo de Wilson Lima, Hapvida segue deixando servidores sem assistência

Empresa tem convênio com a Seduc, Amazonastur, Amazonprev e Cosama, mas não fornece os serviços de saúde corretamente no Estado

Em três anos e meio de gestão de Wilson Lima (União Brasil) como governador do Amazonas, a empresa Hapvida já recebeu mais de R$195 milhões, mais precisamente R$195.540.637,52 (cento e noventa e cinco mihõesl e quinhentos e quarenta mil e seiscentos e trinta e sete reais e cinquenta e dois centavos) dos cofres públicos.

O maior contrato da Hapvida é o que foi firmado desde os tempos do então governador José Melo com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc). Somente da Seduc, o grupo Hapvida ja recebeu mais de R$ 192 milhões dos recursos da educação pública do Amazonas sob o compromisso de prestar assistência aos servidores da pasta.

Em todos esses anos são inúmeras as denúncias do péssimo serviço prestado pelo plano de saúde, principalmente dos servidores da educação do interior do Amazonas. Eles dizer que têm que custear a vinda pra capital pra onseguir alguma assistência médica porque até exames mais simples não estão disponíveis pela Hapvida. Apesar disso, pessoas que possuem o plano de saúde no estado reclamam de não receberem o serviço, precisando muitas vezes de deslocar de cidade para receber o atendimento médico.

Atualmente, a empresa tem contratos firmados com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc), com a Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur), com a Fundação Fundo Previdenciário do Estado do Amazonas (Amazonprev) e com a Companhia de Saneamento do Amazonas S/A (Cosama). A empresa tem como donos Jorge Fontoura Pinheiro Koren de Lima, Alain Benvenuti, Maurício Fernandes Teixeira, Fábio Luciano Gomes e Licio Tavares Angelo, tendo capital social de R$5,1 bilhões (R$5.193.571.773,00).

Os milhões repassados para a empresa começaram ainda no primeiro ano de gestão de Lima, ainda em 2019, que pagou para a empresa mais de R$ 47 milhões (R$ 47.256.496,04). Na época da contratação, foram muitos os questionamentos sobre a escolha de Wilson em fazer um contrato milionário com uma prestadora de serviços médicos privada, ao invés de investir nos hospitais públicos do estado.

Em 2020, Wilson Lima pagou para a empresa quase R$52 milhões (R$51.907.435,97) naquele ano, conforme o Portal da Transparência. Não há muito detalhes acerca dos serviços prestados pela empresa, descritos de forma rasa no Portal da Transparência.

No terceiro ano, em 2021, Wilson Lima aumentou ainda mais o dinheiro repassado para o hospital, dessa vez pagando R$58,7 milhões (R$58.748.688,08), novamente para às quatro secretárias. Nesse ano, vale lembrar, muitos amazonenses morreram após o colapso nos hospitais do estado, enquanto Wilson mandava milhões para a empresa privada.
Muitas foram as denúncias, durante a pandemia, de pessoas que deixaram de ser atendidas pela Hapvida e que, diante do diagnóstico de Covid19, ainda foram repassadas para hospitais públicos pela Hapvida.

Já em apenas seis meses de 2022, Wilson Lima já pagou mais de R$37,6 milhões (R$37.628.017,43). Mas, apesar dos quase R$150 milhões que a empresa já recebeu de Wilson Lima, os problemas envolvendo o grupo seguem no estado, de acordo com denúncia do Deputado Wilker Barreto (Cidadania).

“Já bati na tecla, até hoje a Hapvida não abriu os polos no interior, não saiu do papel. Tem relato de professores que têm plano de saúde, mas para usar tem que vir para Manaus, quem aguenta? Sou a favor do plano, mas qual a dificuldade da empresa de colocar nos principais centros pelo menos o ultrassom, os exames de sangue, os procedimentos mais simples e deixar a alta complexidade para Manaus?”, cobrou Barreto.

De acordo com ele, os servidores da Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc) que atuam em Tabatinga não conseguem atendimento, pois a empresa continua sem descentralizar o atendimento para 11 cidades-polo no interior, conforme prometido pelo Governo e pela Seduc. Segundo Barreto, mais de 15 mil servidores do Amazonas estão tendo prejuízos, já que os mesmos estão sendo obrigados a contrair empréstimos para custear o deslocamento à capital em busca de exames e tratamento médico.