Messias que pregava “Deus acima de todos”, diz sem emoção: “vai morrer gente”

Foto: Sérgio Lima

Minha mãe, com quase nenhuma formação escolar, mas com toda a sabedoria adquirida da vida sofrida que teve, já dizia: “Desconfie minha filha de quem fala muito o nome de Deus”. E essa frase, me veio quase que imediatamente à mente ao ouvir – meio que sem querer porque sempre mudo de canal quando ele aparece – o presidente Messias Bolsonaro dizer até com certa descontração, ajeitando o paletó, que “vai morrer gente” durante a pandemia de coronavirus.

E isso é dito sem nem mudar o tom de voz! A mesma voz que Bolsonaro usa em suas “piadas” sem graça, para ridicularizar pessoas, é a mesma entoada pra dizer que cidadãos deste país vão morrer. Esse é o mesmo Messias Bolsonaro que dizia, em seu slogan de campanha,“Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”.

E lá me vem minha véia e saudosa mãe de volta a mente, como se estivesse presente naquele momento em que Bolsonaro fala da morte de gente como uma coisa banal. “Isso lá é coisa de Deus? Esse homem é do capeta”, diria Dona Iracildes.

E no momento seguinte, quando Messias Bolsonaro demonstra saber que a Covid-19 não tem vacina e nem remédio e mesmo assim defende que milhões de trabalhadores informais voltem às ruas, minha mãe mesmo sem saber nada de economia, tenho certeza que diria: “Isso tem bem a ver com dinheiro, minha fia. Certos endemoniados num querem nem saber do próximo quando num tá entrando dinheiro” e ilustraria esse momento com uma de suas preferias frases bíblicas: “É mais fácil um camelo passar no buraco de uma agulha que o rico entrar no reino de Deus”.

E nem vou entrar mais em detalhes sobre o que minha mãezinha diria sobre a normalidade com que Bolsonaro vê a morte de seus concidadãos porque essa parte é impublicável. Parece até que estou vendo ela disparando xingamento pra tudo que é lado, algo que também faço costumeiramente ao ver alguém que usa o nome de Deus em vão.