“Meu filho está tão machucado que está urinando por uma sonda”, diz a mãe de Diego que teria sido espancado por PMs em Maués

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Com a voz embargada, falando ao telefone com o Radar, Silvia Esteves, mãe de Diego Esteves conta que seu filho está internado no Hospital Francisca Dinelli, no município de Maués. Ele teria sido vítima de espancamento praticado por policiais do Ronda no Bairro daquele município, na madrugada da segunda-feira (27). “Meu filho e outros jovens foram levados pra trás da delegacia da PM, onde os policiais mandaram eles tirarem as calças e ficarem de cócoras e espancaram até as partes íntimas dele. Deram coronhada com o cabo do revólver e quebraram sua cabeça. Meu filho está tão machucado que está tendo que urinar por uma sonda. Eles podiam prender, mas não fazer o que fizeram. Isso é uma atentado a dignidade humana”, diz a mãe de Diego, explicando ainda que nem mora em Maués. Ela estava lá para votar.

Segundo ela, o estado clínico de Diego ainda teria ficado pior porque, após o espancamento, ele e outros jovens foram levados para a delegacia de Polícia Civil, que fica ao lado da PM, e ficaram incomunicáveis, sem receber atendimento médico e sem poder falar com ninguém da família. “Assim que soube o que tinha acontecido, por volta das 2hs30ms da madrugada, eu corri para a delegacia da Polícia Civil, implorei para ver meu filho, mas o policial disse que não deixaria. Eu ainda falei pra ele que meu filho podia estar passando mal, porque já tinham me contado que ele foi espancado, mas o policial falou que eu só podia ver meu filho quando o delegado chegasse. O delegado só veio aparecer por volta das 10hs da manhã”, conta Silvia.

Ela conta, que durante esse espaço de tempo até a chegada do delegado, esteve várias vezes na delegacia e, numa das vezes disse ao policial: “Se acontecer alguma coisa com meu filho, vou responsabilizar vocês, vou responsabilizar o Estado”. E ouviu do policial a seguinte resposta curta e grossa: “procure seus direitos”.

“Vou procurar mesmo. O que fizeram com meu filho e outros jovens foi uma selvageria. Quebraram o braço de um outro rapaz. Espancaram mulheres. Isso não pode ficar só em Manaus. O Brasil inteiro tem que saber a desumanidade que aconteceu pelas mãos de quem deveria nos dar segurança”, diz a mãe em tom de revolta.

O que aconteceu

“Não estava lá para saber o que realmente aconteceu. Mas o que testemunhas contaram é que tudo começou com uma briga dentro de um boate, envolvendo duas mulheres, e policiais que estavam à paisana. O Ronda no Bairro foi acionado e ao chegar no local começou um tiroteio. Os policiais atiravam pra todos os lados, fala-se em mais de cem tiros, que podiam ter matado alguém. Meu filho nem estava nesse tumulto. Ele estava do outro lado da rua, com um colega, e passou a filmar com o celular a ação dos policiais”, conta Silvia.

Ela diz que os PMS ao verem que ele estava filmando, atravessaram a rua, quebraram o celular com um pedaço de pau, na frente de todo mundo e levaram seu filho e o amigo presos. “O resto você já sabe. Eles torturam essas pessoas e nada justifica que façam isso”, protesta. Ela conta ainda que já foi feito o Exame de Corpo e de Delito e foram enviadas as fotos para a Corregedoria da Polícia, assim como estará sendo feita a denúncia no Ministério Público. (Any Margareth)

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