Micróbios inéditos e com potencial pandêmico são encontrados no Tibete

Foto: ilustrativa

As geleiras são um essencial e gigantesco registro da evolução do planeta, além de ser o inventário único da diversidade genética microbiana. Nas geleiras no Platô Tibetano, cientistas conseguiram dar uma dimensão disto, ao descobrir mais de 900 espécies de micróbios desconhecidos à ciência até agora.

Um estudo divulgado pela revista científica Nature, divulgado na última semana, analisou os genomas dos microorganismos e determinou que eles têm potencial para causar novas pandemias caso as mudanças climáticas derretam o gelo e libertem possíveis patógenos na natureza.

Para isso, especialistas da Academia de Ciências Chinesa coletaram amostras de 21 geleiras na região de grande altitude na Ásia, entre as montanhas do Himalaia, ao Sul, e o deserto Taklamakan, ao Norte. Esta foi a primeira vez que uma cultura microbiana dentro de uma geleira foi sequenciada geneticamente.

O DNA dos micróbios foi sequenciado dentro do gelo, criando uma base de dados genômica chamada Catálogo Tibetano de Genes e Genomas (TG2G).

Foram 968 espécies de micróbios identificados pelos cientistas. A maioria se trata de bactérias, mas existem também algas, arqueias e fungos.

O estudo explica que, embora algumas sejam conhecidas, 98% das espécies encontradas nunca foram vistas antes. Os especialistas sequer esperavam tal resiliência destes organismos em condições tão extremas, que incluem baixíssimas temperaturas, altos níveis de radiação solar, limitação de nutrientes e ciclos periódicos de gelo e degelo.

Em 2020, o mesmo local já havia surpreendido cientistas, com 33 grupos diferentes de vírus vivendo sob o gelo, 28 inéditos à ciência.

De acordo com a publicação, a idade dos microorganismos não é conhecida, mas a ciência consegue reviver micróbios congelados de até 10 mil anos.

O Platô Tibetano, especificamente, pode acabar dando origem a pandemias porque ele alimenta o Rio Amarelo, o Yangtze e o Ganges, na China e Índia, respectivamente, e muitas outras vias fluviais, que correm em dois dos países mais populosos do mundo.

Mais de 20 mil geleiras cobrem 10% da massa do planeta Terra, e cada uma delas abriga sua própria colônia microbiana. Análises de satélite do ano passado mostram que quase todas as geleiras estão perdendo gelo de forma acelerada, o que eleva as chances de liberar patógenos perigosos.