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Milhares de professores cruzam os braços por tempo indeterminado, no Amazonas

Sem acordo com o governo, os professores da rede estadual de ensino no Amazonas anunciaram nessa quinta-feira (22), uma paralisação geral das atividades por tempo indeterminado. A deflagração ocorreu durante um protesto em frente à sede do Governo do Estado, que interditou a avenida Brasil, bairro Compensa, Zona Oeste. Segundo os organizadores do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom-Sindical), cerca de 5 mil profissionais da educação participaram do ato.

“Estamos instaurando a greve dos professores, após cumprir às 72 horas do prazo legal e enquanto não negociarem com a categoria, ela irá continuar”, afirmou o representante da Asprom, Lambert Melo. De acordo a entidade, 100% dos professores já cruzaram os braços na capital e cerca de 40 municípios do Amazonas também aderiram à greve. Em todo o Estado são 26 mil servidores da educação. “Até agora, pelo menos, 70% deles já pararam as atividades”.

Lambert acrescentou que a categoria vem tentando dialogar com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e com o Governo para tentar uma contraproposta, mas até agora sem sucesso. “Estamos tentando chamar atenção para nossa situação, mas eles insistem em tratar com o Sindicato dos Trabalhadores de Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), que não nos representa e tão pouco vamos reconhecer qualquer acordo feito com esse sindicato”, destacou.

Nessa segunda (20), o Sinteam anunciou a realização de uma assembleia geral com os professores para essa quinta, com intuito de decidir se a greve da categoria seria deflagrada. Sobre a convocação, Lambert avaliou como uma decisão “inútil e tardia”.

Para a professora de ensino fundamental do 1° ao 5° ano, Regia Brandão, que atua em uma escola estadual na zona sul de Manaus, os profissionais precisam ser valorizados e diz queo Amazonino Mendes repete ações passadas de seu governo, que só prejudicam a categoria. “ Sou professora há quase 30 anos e ele só tira nossos direitos como acesso a saúde, vale transporte e alimentação, já fez isso antes e agora faz a mesma coisa”, criticou.

Proposta do Governo

Desde a semana passada, os professores da rede estadual de ensino do Amazonas fazem paralisações e atos de protesto em escolas de Manaus e do interior do Estado. Ao todo, os servidores da educação pedem 35% de reajuste. Além disso, a categoria busca manutenção do plano de saúde, que foi cortado para parte deles, e vale alimentação. O Governo do Amazonas chegou a propor pagar a data base da categoria de 2017 no percentual de 4,57%, o que foi rejeitado pelos professores.

Juntos na paralisação

Segundo o movimento dos Vamseg, composta por 11 mil servidores no Estado, entre vigias, técnicos administrativos, merendeiras, serviços gerais e outros, os profissionais buscam também por reajuste salarial de 35%, além da revisão do PCCR e promoção horizontal. Conforme o movimento, 2 mil profissionais da categoria aderiram à greve geral junto com os professores.

“Queremos mostrar para a sociedade que também fazemos parte da educação porque somos nós que preparamos as escolas para receber os professores e alunos”, disse uma das representantes do Vamseg, Eliana Guedes. De acordo com ela, os manifestantes pretendem ficar na frente da sede do governo até que sejam atendidos e recebam uma nova proposta de renegociação.

Fotos: Nicholas Eisenhower/Maurício de Jesus Blanco