Ministro frustra governador ao não priorizar vacinação no Amazonas, mesmo com aumento desenfreado de Covid-19

“A prioridade é o Brasil”, evidenciou o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em discurso feito, nesta segunda-feira (11), durante o lançamento do denominado “Plano Estratégico de Enfrentamento à Covid-19 no Amazonas”, no momento em que falava sobre a vacinação. O ministro deu a entender que não vai levar em consideração o aumento desenfreado de casos de Covid-19 no Amazonas e o número cada vez maior de mortos pela doença. Essa posição do ministro Pazuello frusta a posição do governador Wilson Lima de que o Amazonas deveria ser prioridade por causa das dificuldades de logística para se chegar nos municípios, os problemas de locomoção e o agravamento da pandemia no Estado.

Na ocasião, o ministro deixou em aberto o prazo para início da vacinação no país, que supostamente pode acontecer em até três períodos: um curto, até 20 de janeiro; um médio, de 20 de janeiro à 10 de fevereiro; e um “dilatado”, de 10 de fevereiro à início de março. A justificativa para a incerteza é aplicada à burocracia da entrega de documentos das fabricantes à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), assim como a demora de importação e de produção local.

“O primeiro caminho é o da Fiocruz que contará com 100 milhões de vacinas até junho e 110 milhões até dezembro, totalizando 210 milhões de doses já contratadas. Com uma dose, vamos garantir 71% de imunidade da população e, com duas, passamos dos 90%”, explicou Pazuello, acrescentando que, no primeiro momento, o foco não é na imunidade completa e sim na redução da contaminação.

Ainda segundo Pazuello, o Ministério comprou seis milhões de doses de vacina do Instituto Butantan, autarquia do Estado, e dois milhões de doses da Astrazeneca, que devem vir da Índia. As duas compras foram solicitadas ainda para janeiro e seguem em análise da Anvisa.

O que ficou claro no discurso é que a aquisição das vacinas vai acontecer no decorrer do próprio processo de vacinação. “Tanto do Butantan quando da Astrazeneca já foram solicitadas para janeiro. A partir daí, vão entrando as produções e as exportações pelo caminho. No Brasil, os estados vão receber simultaneamente”, frisou o ministro.

Atenção básica

Para Eduardo Pazuello, nesse momento da pandemia, a triagem deve ser primordial e precisa ser feita em todas as Unidades Básicas de Saúde, que funcionam sob gestão da prefeitura de Manaus, e não só nas UBSs que atuam como pontos de referência. Pazzuelo determinou que a prefeitura de Manaus tem que seguir o protocolo defendido pelo Ministério da Saúde, o mesmo pregado presidente Messias Bolsonaro, ou seja, remédios para tratamento de Covid-19 devem ser receitados imediatamente para o paciente, mesmo sem haver um diagnóstico fechado da doença, através de exames. Na opinião do general, mesmo que o paciente não esteja com Covid-19, os remédios “não vão matar ninguém”.

O ministro, no início de sua fala, ainda decidiu comentar o discurso do prefeito de Manaus David Almeida, que responsabilizou a gestão passada por não aplicar investimentos no que era necessário.

“Sabemos que você chegou hoje, mas toda a história da cidade, positiva ou negativa, está nas suas costas. O que está aqui é para ser administrado”, determinou o general.