Moradores de conjunto no Galiléia manifestam contra construção ilegal de cerca em beco

Foto: Radar Amazônico

Um dia após o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (IMPLURB) determinar a suspensão imediata das obras no beco que fica ao lado do conjunto no bairro Galileia, zona Norte, os moradores da região foram surpreendidos com a continuação da obra ilegal neste sábado (12). Moradores do residencial vizinho, Vila da Barra continuam tentando impedir a locomoção da população do Galileia pelo residencial construindo uma espécie de cercado até a entrada do Residencial.

Os moradores do conjunto alegam que a “implicância” dos residentes da Vila da Barra é antiga e ressaltam que as motivações usadas para realizar a construção, como perigo de assalto e trânsito de criminosos, não são justificativa pois eles passam pelo mesmo perigo. Além de que a construção foi feita com arame farpado e com uma escada íngreme onde idosos já haviam escorregado no local.

Foto de nova escada feita por Associação da Vila da Barra

A construção começou a ser feita ontem mas foi embargada pela polícia e IMPLURB por ser ilegal. Mas poucas horas depois ela foi retomada na madrugada e os moradores do conjunto que usam o beco se depararam com a cerca de arame farpado na manhã de hoje.

Inconformados com a atitude dos moradores do Vila da Barra, que coloca em risco idosos e crianças pois o arame é perigoso, eles acionaram a polícia novamente e o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb). No local, os órgãos conversaram com o representante do residencial para ressaltar que se trata de uma obra ilegal e foi determinado a retirada das cercas.

Os residentes do Vila da Barra foram notificados pelo Implurb e tiraram umas das partes da cerca para possibilitar o retorno da passagem dos moradores. Eles têm até a próxima segunda-feira (14) para realizar a retirada total do arame farpado na obra.

Via pública

Em entrevista ao Radar, uma mulher que mora no conjunto e usa o beco há pouco mais de dez anos ressaltou a importância da passagem.

“É pelo beco que eu e dezenas de moradores temos acesso à parada de ônibus na Rua Sumaúma. Passo por aqui todos os dias para ir pro meu trabalho”, pontua.

Além disso, o fechamento do beco obrigaria os moradores a ter que rodear o quarteirão para acessar as paradas de ônibus, passando pelo igarapé do Passarinho, que a população revela ser perigoso. E o acesso que a Associação propôs também coloca os moradores do Galileia em risco de sofrer acidentes.

“O beco já é utilizado pela população do conjunto há mais de 12 anos, ou seja, os moradores do Galiléia já têm direito de usufruir do beco, e é um beco que tem iluminação da Prefeitura de Manaus. Por isso a obra do moradores do residencial Vila da Barra, que não são um condomínio fechado, é totalmente ilegal.”, finaliza a moradora.

Problema antigo

Os desafios de ter o beco garantido para acesso e trânsito de moradores já é antigo. Em 2017, houve todo um processo de debate sobre a legalização e uso da passagem.

Na época, o Implurb e a defensoria estiveram no local para analisar a situação vivida pelos moradores. Entre várias decisões, foi decidido que o local somente poderia ser fechado pelo residencial, caso as obras fossem autorizadas previamente pelo IMPLURB, fato que não aconteceu.

 

Desde então, a população segue zelando pelo trecho que permite o acesso a transporte, comércios e escolas. Uma moradora revelou que eles pagam regularmente serviços de capinagem para deixar o trecho menos perigoso.

Mesmo com todo cuidado, zelo e uso massivo do local, os vizinhos do Vila da Barra seguem tentando, de maneira ilegal, dificultar a rotina dos moradores usuários do beco.