Moradores de Paraisópolis fazem protesto contra ação da PM em baile funk

Moradores de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, fazem protesto na tarde desta quarta-feira (4) para pedir justiça para as nove pessoas que morreram pisoteadas após ação da PM durante um baile funk no último domingo (1).

Eles começaram o ato na Rua Ernest Renan, na comunidade, e caminham para o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, também na Zona Sul.

O grupo carrega cartazes e gritam: “Justiça! Justiça!”. Os manifestantes seguem em caminhada pela região até a Avenida Giovani Gronchi. A manifestação é pacífica.

Ao mesmo tempo, outro grupo realizada um protesto na Rua Líbero Badaró, em frente ao prédio da Secretaria da Segurança Pública.

A mãe de uma adolescente de 17 anos ferida disse que a ação policial foi uma emboscada. Já a PM diz que criminosos provocaram.

O que aconteceu

Ainda de acordo com a polícia, agentes do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) realizavam uma Operação Pancadão na comunidade – a segunda maior da cidade, com 100 mil habitantes, quando foram alvo de tiros disparados por dois homens em uma motocicleta. A dupla teria fugido em direção ao baile funk ainda atirando, o que provocou tumulto entre os frequentadores do evento, que tinha cerca de 5 mil pessoas.

No entanto, a mãe de uma adolescente de 17 anos que estava no local e que foi agredida com uma garrafa disse que os policiais fizeram uma emboscada para as pessoas que estavam no baile.

A jovem ferida durante a confusão descreveu o momento em que foi atingida. “Eu não sei o que aconteceu, só vi correria, e várias viaturas fecharam a gente. Minha amiga caiu, e eu abaixei pra ajudá-la”, afirmou. “Quando me levantei, um policial me deu uma garrafada na cabeça. Os policiais falaram que era para colocar a mão na cabeça.”

Segundo a polícia, equipes da Força Tática, ao chegarem para apoiar a ação em Paraisópolis, levaram pedradas e garrafadas. Os policiais, então, teriam respondido com munições químicas para dispersão. Ainda de acordo com informações da polícia, alguém no meio da multidão disparou um tiro, e houve correria.

O governador João Doria (PSDB) lamentou as mortes e pediu “apuração rigorosa” do episódio. O Ouvidor das Polícias, Benedito Mariano, afirmou que “a PM precisa mudar protocolo”.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a Operação Pancadão tem sido periodicamente realizada em toda a capital “para garantir o direito de ir e vir do cidadão e impedir a perturbação do sossego, fiscalizando a emissão ruídos proveniente de veículos”.