Moradores de Tapauá tocam fogo na casa de acusado de participar da colisão de lancha com canoa que matou quatro pessoas

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Moradores de Tapauá, ainda não identificados, tocaram fogo na casa de um dos acusados de envolvimento na colisão de uma lancha com uma canoa, no município de Tapauá, no domingo passado (30), que matou duas mulheres e duas crianças e deixou cinco pessoas feridas, uma delas, um menino de cinco anos em estado grave. O dono da casa é Ednael, que chegou a ser detido pela polícia no dia do acidente, mas logo depois foi solto, após um menor de 17 anos, que trabalha com o proprietário da embarcação, o empresário do ramo de pescado, mais conhecido na cidade por “Zé da Onça” ter assumido que estava pilotando a lancha. O menor foi apreendido e transferido para Manaus.

Pessoas da cidade que atearam fogo a casa de Ednael, segundo informações de leitores do Radar em Tapauá, estariam indignados porque apenas o menor está pagando pelo que aconteceu. Todos os adultos que estavam no barco, cerca de 10 pessoas, estão em liberdade, até mesmo servidores públicos do município, como Ronaldo Félix, que os moradores do município dizem ser secretário geral da Câmara Municipal de Tapauá.

Acidente Lancha 2 aNo dia em que a lancha destroçou a canoa, matando e ferindo mulheres e crianças que vinham de comunidades rurais do município, cidadãos de Tapauá revoltados também destruíram a embarcação, ateando fogo, e tentaram invadir a delegacia para linchar o menor que foi apreendido, além de Ednael e outro homem de nome Washington, popularmente conhecido por “veinho”, que estavam na lancha.

“O povo de Tapauá não aguenta mais tanta impunidade e chegou no limite da sua paciência.  Aqui, todo final de semana, o pessoal do prefeito (Almino Gonçalves) pega os barcos da própria Prefeitura e vai fazer farra. Os traficantes tomaram conta da cidade. As meninas estão fazendo turismo sexual e ninguém faz nada. O delegado da cidade parece é ter medo desses caras, e quando acontece uma tragédia como essa, crianças e mulheres são mortas por indivíduos bêbados, o grupo Fera vem aqui passa dois dias e vai embora, e tudo volta ao que era antes. Me diga de que adianta esse tipo de segurança pública, amiga?”, diz um cidadão de Tapauá, em tom de desabafo, pelo telefone.

E como se estivesse precisando colocar pra fora toda sua indignação – e a gente deixa ele falar, né gente? -, o cidadão acrescenta:  “o promotor público finge que não enxerga nada, só pode estar fingindo, já que aqui os funcionários da Prefeitura passam de 4 meses sem receber, os meninos veem a família passa fome e vão vender drogas, a cidade é lama pra todo lado, não tem médico e nem remédio, falta merenda escolar. Enquanto isso, não se encontra o prefeito que nunca está na cidade e o pessoal dele vive de farra com dinheiro público. E ex-prefeito aqui de Tapauá (Carlos Gonçalves) faz até balneário com dinheiro público. E o Tribunal de Contas veio aqui, fez inspeção nas contas do prefeito e nunca mais se ouviu falar no assunto. E as pessoas não estão aguentando mais ver essas coisas caladas e estão partindo pra violência, porque é isso que acontece onde não existe segurança e nem Justiça. Isso aqui, amiga, é um barril de pólvora, que vai explodir em violência a qualquer momento. Queira Deus que não”, diz o homem. (Any Margareth)