Moradores denunciam que suas casas correm risco de desabar após Fametro construir nova unidade (ver vídeo)

Foto: Rafa Braga

Moradores da rua Professora Elvira Corrêa, do bairro Novo Aleixo, procuraram a reportagem do Radar na tarde desta segunda-feira (15), para denunciar uma construção que causou rachaduras em suas casas. Pelos menos cinco residências apresentaram rachaduras após a empresa Fametro escavar o terreno ao lado para a construção de uma faculdade, que está situada na avenida Grande Circular na zona Leste. (veja vídeo no final da matéria).

De acordo com os moradores, o problema surgiu em outubro de 2020 e desde então as famílias tentam um acordo através do diálogo, mas a única resposta que eles recebem é que a denúncia vai ser encaminhada para o setor jurídico da Fametro.

“A gente tinha falado para eles que anteriormente se tratava de uma situação de urgência,  e agora se trata de uma situação de emergência, porque a própria Defesa Civil veio aqui e condenou essa casa. Aqui já que não podemos mas morar, agora em uma situação de pandemia a gente não tem para onde ir e tivemos que distribuir as nossas coisas para casa dos outros vizinhos e nem temos como pagar o aluguel nesse momento”, disse o morador Alaffe Vasconcelos.

As imagens mostram que em uma das casas a estrutura está completamente comprometida, teto e paredes rachadas e nem mesmo os reparos feitos por eles suportou. A única solução foi ter que sair da própria casa temendo que ela desabe a qualquer momento.

“Eu tive que sair hoje às 5h da manhã com meus filhos, pedindo ajuda, porque a casa está nessa situação, estava estalando tudo, não tem mais como eu ficar aqui dentro. Por isso e eu peço ajuda deles para eles virem aqui e me dizer o que vão fazer? se vão me dar uma outra casa porque eu não tenho para onde ir, eu moro aqui há 17 anos”, disse moradora Erislane Bezerra.

Todos os moradores afirmam que anteriormente não havia o desnível naquela rua e por conta da escavação o solo começou a ceder, porém em contrapartida, eles alegam que um engenheiro da empresa foi enviado ao local, e que ele teria jogado a culpa da situação nos próprios moradores dizendo que eles que teriam construído as casas em um barranco.

“O que o engenheiro falou para  advogada que aqui foi construído em barranco e isso daí não se procede  porque isso aqui não era barranco. Se a Fametro comprou então a responsabilidade é deles”, disse a moradora Rose Souza.

Durante a reportagem a equipe do Radar entrou em cinco residências e todas apresentaram rachaduras em paredes e muro e afundamento do solo.

Lixão

Além destes problemas, as famílias também denunciam um verdadeiro lixão que se formou no quintal do Fametro. Restos de quentinha e sacos plásticos estão jogados no terreno. A sujeira atrai ratos e doenças.

“É uma imundice só, os ratos moram junto com os moradores, à noite ninguém pode estar aqui, os ratos sobem pelas paredes”, disse Rose Souza.

O Radar entrou em contato com a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) que informou que irá prestar toda a assistência às famílias e visitará o local amanhã (16), para buscar soluções junto aos moradores.

A reportagem também procurou a assessoria da Empresa Fametro, que se pronunciou por meio de nota afirmando que “instituição adquiriu o terreno já com um prédio construído no local, que passou apenas por adequações” e que já está em contato com os moradores da área e Defesa Civil para encontrar uma solução.

Confira a nota da Fametro na íntegra

O Centro Universitário Fametro esclarece, sobre a referida reportagem, que a instituição adquiriu o terreno já com um prédio construído no local, que passou apenas por adequações. Logo que a questão surgiu, procurou a Defesa Civil e ficou no aguardo das providências do órgão junto aos moradores, o que não ocorreu. A instituição informa que já está em contato com os moradores da área e defesa civil para encontrar a melhor solução, apoiando nas tratativas com os órgãos responsáveis.