‘Morreu aos poucos’, diz mãe de bebê que ganhou liminar para transferência

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A família do bebê que morreu nesta segunda-feira (20) em um hospital de Santos, no litoral de São Paulo, não se conforma com o descaso e pretende entrar com uma ação na Justiça contra o Estado. Os pais da criança já haviam conseguido uma liminar obrigando a Secretaria de Saúde a fazer a transferência de seu filho para tratamento na capital, mesmo de helicóptero, mas nada foi feito.

O enterro do bebê de menos de um mês e meio de vida aconteceu às 14h desta segunda-feira, no Cemitério Municipal de Praia Grande. A mãe, Georgia de Paula Gimenes, está desconsolada. “É desumano o que fizeram com meu filho. É uma total falta de amor ao próximo. Deixaram ele morrer aos poucos, mesmo tendo a liminar da Justiça. Veio uma equipe de médicos de São Paulo e foi feito um laudo dizendo que, em hipótese nenhuma, ele poderia ser transferido de ambulância, só de helicóptero. De coração, eu tinha certeza que ia dar certo, mas meu filho não conseguiu. Uma vida foi perdida por desumanidade, sem ter uma chance”, lamenta.

A criança, que sofria com um problema grave no coração, estava internada há mais de duas semanas na UTI da Santa Casa de Santos. Um relatório da unidade apontou que a transferência seria a única esperança para o paciente. A família conseguiu na Justiça uma liminar, que obrigava a Secretaria de Saúde do Estado a transferir a criança. No último sábado (18), a assessoria de imprensa do Governo do Estado informou que o bebê seria levado para a UTI Neonatal do InCor, em São Paulo, por um helicóptero da Polícia Militar. Porém, isso não aconteceu.

Agora, a família quer entrar com uma ação na Justiça contra o Estado. “Pretendo fazer isso para que sirva de exemplo, para que outras mães tenham a consciência de que têm direito de lutar pela vida de seus filhos. Como cidadãos, nós corremos atrás, fizemos o que pudemos, com convicção que ia dar tempo, mas não deu. Até agora não caiu a ficha que eu perdi meu filho, não dá para acreditar, depois de tanto que eu implorei. Uma vida ficou ali, por negligência, mas tenho certeza que, onde estiver, ele vai ter orgulho da gente”, conclui.

Outro lado

O Departamento Regional de Saúde da Baixada Santista, por meio do Governo do Estado, informou que o bebê estava com infecção e não tinha condições clínicas de transferência ou para uma cirurgia. Essa informação foi contestada pelo setor de pediatria da Santa Casa de Santos mas, segundo o Governo do Estado, o problema foi confirmado pelo InCor, que disponibilizou uma vaga para a criança na tarde deste domingo (19) mas, por causa das condições clínicas, a transferência não ocorreu.

Fonte: G1