Mouhamad não nega uso de policiais e confirma movimentação de R$ 40 milhões em espécie

Em quase quatro horas de depoimento na Justiça Federal, na manhã dessa sexta-feira (17), o médico e empresário, Mouhamad Mustafá, acusado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Publico Federal de chefiar uma organização criminosa que desviou mais de R$ 120 milhões do sistema de saúde pública do Estado, só faltou dizer que existe um grande complô contra ele. Isso porque, Mouhamad afirma que “não existe nada de organização criminosa” e que a delatora, ex-presidente do Instituto Novos Caminhos (INC), Jennifer Nayara Yochabel Rufino Corrêa da Silva, “forjou denúncias” contra ele.

Mas, instigado pela juiza federal Ana Paula Serizaua Silva Podewony e pelo procurador do Ministério Público Federal, Alexandre Jabur, Mouhamad Mustafá deu um depoimento, que qualquer pobre mortal, poderia ver que estava cheio de contradições. Fazendo até lembrar o caso de Aécio Neves, Mouhamad disse que as “bolsas de dinheiro” que eram entregues no INC, descritas por Jennifer como dinheiro de propina, nada mais eram que empréstimos que ele fazia para salvar outros empresários do setor que estavam passando por dificuldades devido a atrasos nos pagamentos feitos pelo Governo.

Os “empréstimos” chegavam a R$ 300 mil, dinheiro que, segundo Mouhamad era pago em espécie e devolvido do mesmo jeito, dentro de bolsas de dinheiro. Em respostas a questionamento do procurador Jabur, manifestando seu estranhamento sobre tanto dinheiro sendo movimentado em espécie, Mouhamad confirmou as investigações da PF onde é apontada uma movimentação de dinheiro vivo que atingiu R$ 40 milhões.

Melhor amiga

Mpuhamad Mustafá utilizou o fato de que, nunca foi presidente do INC, para dizer que não tinha nada a ver com o instituto. As acusações de desvios dos recursos da saúde recairiam então nas costas de quem presidiu o INC, como a enfermeira Jennifer por exemplo. Mouhamad insistiu por várias vezes que nada teve a ver com o fato dela ter chegado a presidência da entidade.

Mas, contraditoriamente, por duas vezes, Mouhamad classificou jennifer Nayara de sua “melhor amiga”. Ele confirmou que, por suas mãos, ela foi diretora da Salvare e que veio a ser dona da empresa Total Saúde através de articulação dele. “A Total nasceu de uma empresa minha e da minha esposa, a Bogotá”, contou Mouhamad.

Os laços de Mouhamad com Jennifer demonstram ser pra lá de estreitos quando ele chega a dizer que guardava uma de suas BMWs na casa dela. E mesmo assim, Mouhamad ainda quer que se acredite que ele não teve nada com a escolha de jennifer para presidir do INC.

Policiais como escolta

Falando como se fosse a coisa mais normal do mundo, Mouhamad confirmou que usava policiais em sua escolta tanto aqui quanto fora do Estado. “Nunca me passou segurança andar com vigilantes”, disse Mouhamad ao comentar porque não contratava empresas de segurança, ao invés de usar policiais para essa função.

E tem mais, ele não negou que suas escoltas policiais eram organizadas por um dos oficias da PM do Estado, coronel Aroldo. “Precisava de um posto maior para tomar conta da casa”, disse, em tom de descontração.

Desqualificando a delação

A advogada de Mouhamad Mustafá, Simone Guerreiro, interrogando seu cliente durante a audiência e também em entrevista à imprensa, usou como estratégia de defesa, desqualificar a delação premiada da ex-presidente o Instituto Novos Caminhos (INC), enfermeira Jennifer Yochabel.

Por sua vez, a advogada de defesa de Jennifer Yochabel, Tatiane Medina, como forma de atestar a veracidade do que foi dito por sua cliente em depoimento, destacou que a delação premiada foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que selou o acordo pela existência de provas.