Movimento trans repudia tratamento desumanizado em sites de notícias sobre morte da atriz transexual assassinada em Manaus

O assassinato da atriz transexual Manuela Otto, gerou revolta na sociedade amazonense e foi repudiado pela Associação de Travestis, Transexuais e Transgêneros do Amazonas (Assotram), que tem mais de 200 associados no Estado. A associação que foi fundada em 2017 repudiou o tratamento desumanizado que foi dado à vítima por sites de notícias em Manaus. Manuela foi assassinada a tiros em um motel na zona norte de Manaus. O principal suspeito é um policial militar que já se entregou à polícia nesse domingo (16).

“Nós somos assassinadas, mortas por diferentes razões, sobretudo pela transfobia estrutural que existe na sociedade. Mas também nós somos mortas duplamente, principalmente quando aquele jornalismo sensacionalista negligencia as nossas identidades de gênero e negligencia os nossos nomes, as nossas existências a partir do momento que identificamos enquanto homens, mulheres trans e travestis, ou homens trans enquanto mulheres. Fizemos uma nota de repúdio”, explica Michele Pires, que faz parte da diretoria da Assotram.

Para a presidente da Assotram, Joyce Lorane, Manaus reflete o que há em todo o País, no que diz respeito à falta de políticas públicas para a comunidade LGBT. “Manaus reflete muito a realidade desse País. O Estado não dispõe de políticas públicas que trabalhem a pauta da diversidade. Não trabalham a pauta LGBT, e aí a gente tem essa questão da Câmara (Municipal de Manaus) de não querer trabalhar gênero nas escolas e isso vai contra a decisão do STF. E todas essas coisas que acontecem evidenciam mais esse processo de violência. Hoje as pessoas se sentem mais livres para praticar esses atos”, disse a transativista.

Resposta das autoridades

A secretaria de Segurança Pública do Amazonas disse que a “Polícia Militar do Amazonas não compactua com qualquer conduta que fuja a legalidade e adotará todas as providências no campo administrativo e criminal para a elucidação do fato”.

Já a Polícia Militar do Amazonas informou por nota que “a Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) da Corporação está acompanhando o caso e já instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) para analisar o suposto envolvimento do policial no crime de homicídio”.

A corporação informou que na data do crime, o PM Jeremias estava afastado de suas atividades operacionais e administrativas por motivos de saúde. Todos os elementos apresentados durante a ação investigatória serão apurados da forma transparente, respeitando o direito ao contraditório e à ampla defesa”, disse a nota.

Notas de repúdio pubilicadas nas redes

O corpo de Manuella Otto foi sepultado na manhã desta segunda-feira (15) no cemitério Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã, na zona oeste de Manaus. A morte da atriz causou grande comoção nas redes socias. O artista Leonardo Scantbelruy pediu Justiça. “Ainda não tô conseguindo pensar/escrever direito, é tanta angústia e indignação, estou como um nó. Manuella era uma mulher negra, trans, estudava administração e inglês, era uma artista, produtora de festas, estava no corre dessas desigualdades, tinha apenas 25 anos, uma vida pela frente. Ontem (13)  brutalmente assassinada, um crime de ódio contra sua/nossa existência. Até quando essa barbaridade vai ser real e cotidiana? Até quando nossos corpos e lutas estarão subordinadas a essa situação? Eu quero justiça”.

As Secretarias Nacionais de Mulheres e LGBT do Partido dos Trabalhadores (PT) exigiram em nota oficial a investigação e Justiça para a militante petista e defensora dos direitos de pessoas transgêneras,  ao mesmo tempo em que nos solidarizamos à sua família e amigos. “O assassino foi identificado pela polícia como sendo o policial militar Jeremias da Costa Silva. O Partido dos Trabalhadores, através das suas secretarias de Mulheres e LGBT irá acompanhar o caso que já está sendo investigado pela polícia local e apela pela prisão imediata do assassino, bem como a tipificação correta deste Transfemicídio identificando a Transfobia que levou ao homicídio de Manuella”.