MP arquiva acusação contra José Melo de se aliar a facção criminosa

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) arquivou, por falta de provas, um inquérito civil que investigava a denúncia de envolvimento do ex-governador cassado, José Melo, com facção criminosa. A decisão foi publicada no Diário Oficial do órgão, no último dia 10. (Veja documento no final da matéria)

Segundo a publicação, o inquérito foi instaurado para apurar a suposta omissão do ex-governador em facilitar vantagens aos chefes da facção criminosa Família do Norte (FDN), liderada por José Roberto Fernandes Barbosa, o ‘Zé Roberto’, dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na BR-174, em troca de apoio político nas eleições de 2014. 

No arquivamento, o MP afirma a “inexistência de elementos mínimos para comprovar o elemento subjetivo para configurar o ato ímprobo”.

Em outubro de 2014, a revista Veja publicou uma suposta gravação onde o subsecretário de Justiça na época, major Carliomar Barros Brandão, faz acordo com traficantes em apoio à reeleição de Melo. Em uma das declaração, o subsecretário diz que “a mensagem que ele (governador José Melo) mandou pra vocês, agradeceu o apoio e que ninguém vai mexer com vocês, não”. 

Em resposta Zé Roberto diz que a “família” toda, dentro e fora da cadeia vai trabalhar para José Melo e faz até projeção de que a bandidagem conseguirá uns cem mil votos para o governador.

Dias depois, a mesma revista postou mais detalhes sobre a gravação do encontro do subsecretário de Justiça com Zé Roberto e do poder dele sobre o Estado. A publicação mostra os crimes bárbaros e a fuga de presos que Zé Roberto determina e como ele manda dentro e fora do presídio. “Eu falei quem comanda aqui é nós. A disciplina da cadeia, do Estado, aqui é nós”, diz o bandido num trecho da gravação. 

Vale lembrar que em janeiro de 2017, 56 detentos que cumpriam pena no regime fechado no Complexo foram mortos dentro da cadeia. Na ocasião, a polícia indiciou 210 detentos por envolvimento no massacre e o inquérito teria confirmado que o motivo das mortes foi a briga entre facções criminosas.

Veja documento na íntegra: