MP Eleitoral denuncia Wilson Lima por usar a máquina pública para beneficiar Tiradentes em Coari

Caso também ganhou repercussão na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)

Foto: Divulgação

O Ministério Público Eleitoral do Amazonas (MPE/AM) entrou com uma ação (disponível no final da matéria) na Justiça Eleitoral contra o governador Wilson Lima (PSC) por distribuir bens e serviços pagos com dinheiro público em troca de votos no candidato do seu partido (PSC) nas eleições suplementares de Coari, Robson Tiradentes, sobrinho do empresário que tem contratos com o Governo de Wilson Lima e é aliado do governador, Ronaldo Tiradentes.

O objetivo do MP Eleitoral é impedir o abuso de poder político e econômico que está acontecendo escancaradamente em Coari. Wilson Lima anunciou nessa quarta-feira (17) o programa Detran Cidadão, que vai emitir de forma gratuita a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para 300 mil pessoas, além de outros benefícios como isenção de taxas para cursos voltados a mototaxistas e a distribuição de 40 mil capacetes.

De todos os 62 municípios do Amazonas, o governador escolheu “coincidentemente” Coari, que é a única cidade do AM que está passando por uma campanha eleitoral, e que possui entre os candidatos, o seu aliado de partido, Robson Tiradentes Júnior.

O crime eleitoral em Coari tem atingido ares dramáticos com o uso até mesmo do aparelho policial do Estado para reprimir e ameaçar o povo de Coari. Em uma passeata pacifica e ordeira realizada pelo candidato Keitton Pinheiro (PP), adversário do candidato de Wilson Lima, uma viatura da polícia avançou contra a população.

Na ação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral, os promotores de justiça ressaltam que tal conduta é vedada em período eleitoral, conforme a Lei nº 9.504/97,  que proíbe a Administração Pública, a distribuição gratuita de bens, valores e benefícios em ano eleitoral.

Na última quarta-feira (17) um grupo de 10 vereadores de Coari, foram até a sede da Assembleia Legislativa do Amazonas, em Manaus, para exigir o impeachment de Wilson Lima, por abuso do poder econômico, ao usar a máquina pública do Governo do Estado para favorecer Robson Tiradentes e prejudicar os outros candidatos.

No documento, além de pedir que o governador se abstenha de distribuição de bens, valores ou benefícios, também pede que as ações do Programa Detran Cidadão aconteçam apenas após a eleição. Em caso de descumprimento por parte do governador o MPE pede à Justiça determine multa no valor de R$ 50 mil reais.

Deputados exigem eleições limpas

Esse caso da CNH Social não foi um fato isolado. Hoje mesmo surgiu uma nova denúncia de interferência de Wilson Lima nas eleições de Coari. A deputada estadual Dra. Mayara Pinheiro (Progressistas) mostrou na tribuna da Casa Legislativa, que uma balsa alugada por R$ 200 mil reais pelo Governo do AM para transportar veículos oficiais, foi usada para levar um trio elétrico (carro de som) que está usado na campanha de Robson Tiradentes.

Ônibus do Governo ao lado do carro de som usado pelo candidato Robson Tiradentes Júnior.
Foto: Reprodução / TV Aleam

“Essa é apenas uma das inúmeras provas que tem nesses documentos que estão sendo levados até o Tribunal Regional Eleitoral. Esses crimes eleitorais têm que ser combatidos e precisamos respeitar a vontade do povo Coariense”, declarou Mayara.

O deputado Delegado Péricles (PSL) também criticou a interferência de Wilson Lima nas eleições através da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) que até então era comandada pelo Coronel Ayrton Ferreira Norte, mas que deixou o comando para disputar a vice-prefeitura na chapa de Robson Tiradentes.

“Causa estranheza, o fato do comandante da Polícia Militar [coronel Ayrton Ferreira Norte] sair do comando para concorrer a vice-prefeito e logo em seguida o comandante do batalhão da PMAM de Coari ser afastado e delegado Major Pedro do distrito de Coari também ser afastado por pressões que sofreu”, destacou Péricles.

O deputado e economista Serafim Corrêa (PSB) alertou que a interferência de Lima pode prejudicar inclusive o pleito em si, prejudicando a população e o erário público.

“Nós podemos acabar tendo um novo problema e uma nova eleição. Isso será uma agressão a democracia”, alertou Corrêa.

Mayara anunciou que vai apresentar um requerimento para formar uma frente parlamentar na Aleam para que os deputados possam acompanhar e fiscalizar as eleições em Coari.

Confira na íntegra a ação movida pelo MP Eleitoral:

Representação tutela inibitória conduta vedada