MP mantém investigação que apura “acordo com o crime” para favorecer Melo nas eleições de 2014

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) converteu um Procedimento Preparatório (PP) em Inquérito Civil (IC) para apurar a negociação que teria sido praticada pelo então subsecretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Carliomar Barros Brandão, para beneficiar a reeleição do ex-governador José Melo (Pros), em 2014. (Veja documento no final da matéria)

De acordo com o MP, o acordo teria sido feito com um dos chefes da facção criminosa Família do Norte (FDN), José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto”, para apoio político nas Eleições de 2014.

Conforme as investigações, com o acordo haveria o “favorecimento aos membros da facção que se encontram no Sistema Prisional do Amazonas ou fora dele”. O procedimento é assinado pelo promotor de Justiça Ronaldo Andrade.

Para manter a continuidade do processo de apuração, o promotor de Justiça resolveu considerar o prazo do procedimento preparatório, que se esgotou sem que tenham sido concluídas todas as ações necessárias para apurar os fatos.

Reunião

O acordo teria acontecido dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), conforme uma conversa gravada que foi compartilhada na época. Na mesa de negociação, estava o então subsecretário Carliomar Barros Brandão e um dos maiores traficantes do Estado, o “Zé Roberto”.

O apoio seria para o segundo turno das eleições de 2014, que foram vencidas por José Melo em todas as zonas eleitorais da capital, com vantagem do segundo colocado de 24.191 mil votos. Ele obteve 55,5% dos votos válidos, um total de 869.992 mil votos.

Período

O procedimento de apuração foi transformado em inquérito civil cinco anos após as eleições estaduais de 2014. Nesse período de tempo, Melo acabou tendo o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sendo afastado, junto com seu vice, Henrique Oliveira, em setembro de 2017, por compra de votos nas eleições daquele ano.

Preso

Três meses após ser cassado, José Melo foi preso na operação “Estado de Emergência”, uma das fases da operação “Maus Caminhos” que apura o desvio milionário de verbas na saúde do Amazonas. Atualmente Melo responde em liberdade pelos crimes direcionados à ele pelo Ministério Público Federal (MPF).

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