MP quer “barrar” gasto de R$ 145 mil com atração nacional em Nhamundá

Mesmo após recomendação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) para que o prefeito de Nhamundá, Gledson Hadson Paulain Machado, mais conhecido por “Nenê Machado” não gastasse dinheiro público pagando shows considerados exorbitantes, enquanto a cidade está em uma situação “caótica”, ele simplesmente decidiu que vai gastar R$ 145 mil com o cachê da cantora baiana Solange Almeida.

Para “barrar” o show da atração nacional, que foi contratada pelo prefeito para participar da Exposição Agropecuária da cidade, nos próximos dias 24 a 26 deste mês, o MP moveu uma ação civil pública pedindo a suspensão do pagamento do cachê à cantora e o bloqueio do valor das contas da Prefeitura. (Veja documento no final da matéria)

Na Ação, o promotor de Justiça Wesley Machado cita que, no fim do mês de abril, o Ministério Público já tinha expedido recomendação para que a prefeitura não prosseguisse com os gatos, mas que não obteve qualquer resposta por parte do Poder Municipal local.

“Com base nas supracitadas informações oficiais, na festa da Agropecuária de Nhamundá, ano de 2019, serão gastos mais de RS 145.000.00 (cento e quarenta e cinco mil reais) só com o pagamento da artista Solange Almeida. Acresça-se a esse valor os gastos com as passagens aéreas da artista e da sua banda, alimentação e hospedagem. Assim, até a presente data, não se sabe nem mesmo quanto será desembolsado pela pequena prefeitura do interior do Estado do Amazonas, que não consegue pagar os seus débitos, fornecedores e servidores”, diz um trecho da petição.

O documento também descreve os problemas de atrasos de pagamento dos servidores municipais, grave situação de trafegabilidade de várias ruas da cidade e até de penhora on line das contas da prefeitura. A ação, prevê também a apuração de eventual improbidade administrativa por parte do Prefeito.

Cassação

Em fevereiro do ano passado, o prefeito Nenê Machado teve as contas reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) referentes ao exercício de 2015. Ele foi condenado a devolver R$ 3,3 milhões aos cofres públicos.

Já em março deste ano, Nenê Machado teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral por suspeita de compra de votos nas eleições de 2016. A decisão atingiu o vice, Cleudo Tavares, mais conhecido como “Mantegão” e ainda cabe recurso.

Confira Ação Civil Pública na íntegra