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MP-RJ denuncia 4 por ameaçar fiéis que acusam pastor de estupro

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O Ministério Público denunciou, nesta sexta-feira (10), quatro homens suspeitos de ameaçar uma das vítimas que acusam o pastor Marcos Pereira de estupro, como mostrou o RJTV. Ubirajara Moraes Pereira, Cezar Luiz Moraes Pereira, Lúcio Oliveira Câmara Filho e Daniel Candeias da Silva teriam ameaçado a vítima em março de 2012, logo após uma das denúncias contra o pastor ter sido apresentada. O MP pede ainda proteção às testemunhas em decorrência da suspeita de possíveis ligações de Marcos Pereira com o tráfico de drogas.

A  Justiça do Rio negou, na noite de quinta-feira (9), dois pedidos de liminar para libertar o pastor, que foi preso na terça-feira (7) e está no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste. Marcos Pereira é acusado de estuprar fiéis da Assembleia de Deus dos Últimos Dias. A Justiça entende que há provas do crime e indícios suficientes da autoria.

Além dos estupros, o pastor é investigado por associação ao tráfico, lavagem de dinheiro e por envolvimento em quatro homicídios.

O advogado do pastor, Marcelo Patrício, alegou que o religioso é inocente e que está tentando reverter na Justiça a liminar que negou os pedidos de habeas corpus ao suspeito. O advogado também defende a inocência dos quatro homens denunciados nesta sexta-feira.

MP não pode denunciar 3 estupros

O pastor Marcos Pereira não responderá criminalmente por três das seis acusações de estupro contra ele porque as acusações foram feitas antes da mudança na Lei 12.015 de 2009. A legislação anterior fixava prazo de até seis meses para que a vítima denunciasse o crime de estupro, o que não aconteceu. O pastor responde por apenas dois casos.

‘Estarrecedor’

Outro caso, cuja vítima é a mulher de Marcos Pereira, ainda está sendo apurado. Segundo o MP-RJ, há informações de que o filho dela com o pastor seja fruto de um estupro. O promotor Rogério Sá Ferreira afirma que os relatos das vítimas são chocantes.

“É estarrecedor. Pelos depoimentos das mulheres, a gente percebe que ele é um estuprador em série. Ele agia como se o esperma dele fosse água benta. Essas mulheres eram completamente dependentes economicamente porque moravam em alojamentos das igrejas, e emocionalmente porque viam nele um verdadeiro ‘homem de Deus’. Elas não tinham condições de dizer não”, disse o promotor.

Apenas por esses dois casos denunciados, o pastor pode pegar até 24 anos de prisão, se for condenado. O MP-RJ espera que Marcos Pereira seja julgado ainda este ano.

Denúncias à Justiça

Segundo o MP-RJ, o pastor agiu da mesma forma com as duas vítimas que figuram nas denúncias: jogou as mulheres na cama, arrancou a roupa delas e as forçou a praticar sexo.

Na denúncia, os promotores relatam que ele negava até mesmo material de higiene às mulheres que se recusavam a manter relações sexuais com o acusado.

“Pelos relatos das testemunhas, principalmente das mulheres, verifica-se que estamos diante de um verdadeiro depravado, degenerado, pervertido sexual, capaz de fazer as coisas mais baixas e sempre se aproveitando da sua condição de líder maior da Igreja”, diz o texto de uma das denúncias, assinadas pelos promotores Rogério Lima Sá Ferreira e Adriana Lucas Medeiros.

Relatos das vítimas

Duas vítimas que denunciaram o pastor Marcos Pereira por abuso sexual relataram ao RJTV desta quarta-feira (8) como funcionava a abordagem do religioso. Em depoimento, elas afirmaram que chegaram a morar na igreja, onde não podiam ler jornais, ver televisão e nem falar em telefones celulares.

“Quando ele pegou na minha mão, eu já fiquei na minha cabeça pensando se ele estava tentando ver se tinha algum espírito em mim, que era o que ele costumava fazer. Eu fiquei orando, ele começou aos poucos, ele foi tocando no meu corpo. Você se sente humilhada, você se sente nada, como se fosse um objeto descartável”, disse uma delas.

Para outra vítima, o sistema de clausura favorecia os abusos. “Ele aproveita momentos de fragilidade, que a gente fica ali, entregue mesmo àquela ideologia que eles passam para gente”, disse.

Outros crimes

Marcos Pereira também é investigado por homicídio, associação ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Trinta pessoas já prestaram depoimento contra o pastor. Segundo um ex-braço direito do religioso, certa vez, o pastor obrigou o amigo a guardar mochilas com aproximadamente R$ 400 mil em sua casa.

Fonte: G1