MPAM entra com ação na Justiça para obrigar Governo do AM a construir penitenciária em Beruri

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O Ministério Público do Amazonas (MPAM) entrou com uma ação na Justiça para obrigar que o Governo do Estado faça a interdição com urgência da unidade prisional do município de Beruri (distante 173 km de Manaus). Além disso, a ação pede também a transferência dos presos custodiados na delegacia de Beruri e a construção de uma cadeia pública e penitenciária com capacidade mínima para 50 detentos.

Segundo a promotora de Justiça Tania Maria de Azevedo Feitosa, além da localização inadequada, próximo a residências e estabelecimentos comerciais, o que gera insegurança à população, a unidade prisional possui apenas duas celas em condições sub-humanas, forro do teto caído e sem caixa d’água, que desabou recentemente.

A unidade abriga no mesmo espaço tanto os presos provisórios quanto os presos condenados, alguns de alta periculosidade. Na ação, o MP pede um prazo máximo de seis meses para o Estado providenciar a estruturação da Delegacia Geral.

“A delegacia já tem histórico de fuga de presos, prática de delitos por evadidos, além da troca de experiências entre detentos de maior e menor periculosidade, tudo decorrente das más condições carcerárias. É impensável que se tenha alta resolutividade e eficiência no trabalho da Polícia, diante da falta de equipamentos necessários, material humano suficiente e imprescindível à execução de suas atividades, o que só compromete a prestação da segurança pública, que é dever legal do Estado”, disse a promotora de Justiça.

Morto após se envolver em briga de bar

Infelizmente a situação da delegacia de Beruri também se repete em vários interiores do Amazonas, onde delegacias são usadas como presídios.

No último sábado (5), o jovem identicado como Simeão Denis de Menezes Filho, conhecido como ‘Negão’ morreu esfaqueado dentro de uma cela na delegacia do município de Barcelos (distante 401 km de Manaus).

Segundo informações, o jovem foi detido após se envolver em uma briga de bar, mas ao chegar na unidade policial, foi colocado em uma cela com detentos de alta periculosidade.

O homicídio gerou revolta na população. Amigos e familiares da vítima foram até a delegacia e fizeram uma manifestação para pedir Justiça. O Radar entrou em contato via e-mail com os órgãos de segurança, mas até o momento o e-mail não foi respondido.