MPAM vai investigar mãe do ex-prefeito de Nhamundá por suposto enriquecimento ilícito

A investigada possui empresas com capital social milionário mesmo ganhando aproximadamente R$ 1,6 mil na Secretaria de Saúde do AM

Foto: Divulgação

O Ministério Público do Amazonas (MPAM), através da Promotoria de Justiça de Nhamundá, está apurando uma denúncia de enriquecimento ilícito apresentada contra um familiar do ex-prefeito da cidade, Gledson Hadson Paulain Machado. Instaurado pelo promotor de justiça Weslei Machado, o inquérito civil investiga possível ato de improbidade administrativa cometido pela mãe do ex-prefeito, identificada como Raimunda Maria Paulain Machado, em razão de sua evolução patrimonial se mostrar incompatível com os salários recebidos por ela na Secretaria de Estado da Saúde (SES-AM).

Segundo a denúncia, Raimunda era servidora de nível técnico na área de Saúde da SES-AM, entretanto, possui bens acima da sua capacidade financeira, conforme aponta o capital social das empresas registradas em seu nome.

O Radar Amazônico apurou que, no ano de 2014, Raimunda estava lotada na antiga Susam como técnica de saúde 3ª Classe, com remuneração bruta de apenas R$ 1.655,00.

No ano de 2013, a parente do ex-prefeito abriu uma empresa com capital social avaliado em R$ 150 mil. Em seguida, abriu a empresa Mil Comércio de Estivas e Ferragens Ltda, com capital social de R$ 800 mil, e a Mil Transportes de Carga, no valor de 1,8 milhão. As empresas foram abertas, segundo a denúncia, “assim que o prefeito assumiu a Prefeitura de Nhamundá”.

Dentre as medidas já adotadas pelo promotor, estão a exigência de informações a serem apresentadas pela SES-AM, no prazo de 20 dias úteis, acerca do vínculo funcional da investigada com o Estado do Amazonas, cargo ocupado, unidade de lotação e extrato de remuneração relativo aos meses de janeiro/2013 a dezembro/2020. O MP está levantando também informações junto ao Infoseg e à Junta Comercial do Amazonas, para identificação do rol de empresas (pessoas jurídicas) em que Raimunda esteja como proprietária ou sócia.

Além disso, também devem ser efetuadas pesquisas em redes sociais para a identificação do estilo de vida exposto pela investigada, pesquisas junto ao Central Notarial de Serviços Eletrônicos Compartilhados (Censec), aos cartórios extrajudiciais de Nhamundá, Parintins, Barreirinha e cartórios de Registro de Imóveis de Manaus e ao Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Escândalos

Esse caso de suposto enriquecimento ilícito não é o primeiro escândalo envolvendo a gestão de Gledson Machado. Conforme o Radar noticiou em 2018, o ex-prefeito teve as contas reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM). Na ocasião, ele ainda foi condenado a devolver mais de R$ 3,3 milhões aos cofres públicos do município.

Defesa

O Radar Amazônico procurou o ex-prefeito Gledson Machado e questionou o ex-gestor sobre a evolução patrimonial de sua mãe, que de acordo com a denúncia, aconteceu ‘assim que ele assumiu a prefeitura’. Por ligação, Gledson disse que o patrimônio milionário de Raimunda Machado foi uma herança deixada por seu pai.

Eu não estou nem um pouco preocupado com essa investigação, porque muito antes de eu ser prefeito a minha mãe já era comerciante, e meu pai quando morreu, deixou mais de 400 cabeças de gado para ela, e ela vendeu tudo e investiu nos imóveis” afirmou o ex-prefeito.