MPE-AM vai usar dados da CPI da Saúde para investigar suspeitos

Foto: ALEAM

Criada para investigar suspeita de desvios de dinheiro público durante a pandemia de Covid-19 no Amazonas, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde foi encerrada final de setembro e nesta segunda-feira (30) o relatório final sobre os 120 dias de trabalhos foi entregue ao Ministério Público Estadual do Amazonas (MPE-AM). O documento final foi entregue pelo deputado estadual Delegado Péricles, que presidiu a CPI, ao procurador-geral, Alberto Rodrigues do Nascimento Júnior.

A comissão, que recebeu 41 depoimentos no total, foi responsável por investigar o superfaturamento em mais de 130% na compra de respiradores pelo Governo do Amazonas, além do aditivo milionário repassado ao Hospital Delphina Abdel Aziz, mesmo sem funcionar com o total de leitos disponíveis. O mesmo relatório, que tem o objetivo de dar aos órgãos de controle todo o acesso ao material obtido na comissão, também foi entregue à Controladoria Geral do Estado (CGE), da União (CGU), ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Procuradoria da República no Amazonas.

“Tenho reforçado em todos os órgãos de controle a necessidade de continuidade às investigações iniciadas na CPI da Saúde. Revelamos casos absurdos de corrupção nos bastidores da saúde, inclusive em período crítico de combate ao coronavírus no Amazonas. Isso tudo precisa ser visto com mais profundidade por todos. Nosso tempo foi curto para a obtenção de mais detalhes, mas deixamos descobertas que, sem dúvida, já são ou serão base importante para a responsabilização de culpados” afirmou o Delegado Péricles.

Baseado no relatório, o MPE-AM deve aprofundar as ações, podendo chegar a realização de operações.

“Vamos despachar para que seja feita toda a análise jurídica e possamos dar devido encaminhamento ao que foi apurado pela CPI da Saúde, seja por meio da deflagração de operações ou outras medidas”, concluiu o procurador-geral do MPE-AM, Alberto Rodrigues do Nascimento Júnior.