MPE investiga prefeito e servidores de Beruri por desvio de milhões

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operação castanha 2Um desvio de recursos públicos que ultrapassa R$ 3,5 milhões apenas no Fundo Municipal de Previdência Social de Beruri (Fumpreb), é o que está sendo investigado pelo Ministério Público do Estado (MPE-AM), através Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO). O assalto aos cofres públicos de Beruri estaria sendo feito desde o ano passado por servidores públicos do município, com suspeita de participação do próprio prefeito Odemilson Magalhães, o Demis (PSD) que está afastado da Chefia do Executivo desde outubro por decisão  do juiz Mateus Guedes. O magistrado também decretou o bloqueio de bens e de contas correntes do prefeito no valor de R$ 3,5 milhões.

Nesta sexta-feira (18) foi deflagrada pelo Ministério Público (GAECO), a Operação Castanha, com a participação da Polícia Civil do Estado do Amazonas, por meio da Promotoria de Justiça e da Delegacia de Polícia do Município de Beruri. Foram executados mandados de buscas e apreensões em 02 (dois) escritórios de contabilidade denominados DMK SERVIÇOS DE CONTABILIDADE e AMAZON CONTÁBIL, ambos localizados em Manaus, expedidos pela Juíza de Direito que responde atualmente pela Comarca de Beruri, visando apreender processos licitatórios, material eletrônico e quaisquer outros documentos relacionados a licitações de interesse do município.

Segundo informações do Ministério Público, o objetivo da operação denominada “Castanha”, é obter provas para identificar a existência de uma possível organização criminosa existente no núcleo administrativo, especialmente na Comissão Permanente de Licitação e na Secretaria de Finanças do município de Beruri-AM, com a participação de empresas prestadoras de serviços, mediante a prática dos crimes de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações, falsidade ideológica, corrupção passiva e concussão. “O que nos surpreendeu é que foram encontrados talões de notas fiscais em branco de empresas que concorriam em licitações do Município dentro dos escritórios de contabilidade, em Manaus, o que reforça as suspeitas de fraudes nos processos licitatórios”, disse o Promotor de Justiça, Lauro Tavares, que atua no Gaeco.

As investigações preliminares apontam para a existência de um grupo de servidores públicos que, de forma organizada e ordenada, com divisão de tarefas, atua com o intuito de saquear os cofres públicos do município de Beruri através das práticas dos crimes acima nominados.

“Em Beruri várias obras que já foram pagas pela prefeitura estão inacabadas, falta merenda e transporte escolares , os servidores municipais sofrem com atrasos no pagamento e colhemos provas que até empréstimos consignados para os funcionários públicos eram descontados dos salários , mas o dinheiro não era repassado pela Prefeitura aos bancos”, destacou a Promotora de Justiça titular da Comarca de Beruri, Cristiane Dolzany Araújo.

Foram apreendidos computadores de mesa, notebooks, impressoras, pen drives, talões de notas fiscais em nome de empresas que possuem contratos com a municipalidade, processos licitatórios que deveriam estar em poder do município, os quais serão periciados pelo Instituto de Criminalística do Estado, bem como serão ouvidas na sede do Ministério Público pessoas que possam ter envolvimento com os crimes investigados na operação.