MPF denuncia réus da Maus Caminhos por compra de casa de show com dinheiro da saúde

O médico e empresário Mouhamad Moustafa foi denunciado pelo Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM) por ter usado dinheiro desviado da saúde do Estado para comprar cota de casa de show no valor de R$ 2 milhões. A denúncia também atinge a empresária Priscila Marcolino Coutinho. Na ação penal, o MPF pede a condenação da dupla por crime de lavagem de dinheiro e a devolução do valor desviado por reparos aos danos causados aos cofres públicos.

De acordo com as investigações que embasaram a ação penal, os denunciados, que são réus na “Operação Maus Caminhos”, usaram os R$ 2 milhões para comprar 30% de cotas da Sociedade JHLS Lanchonete e Choperia Ltda., referentes à casa de shows Villa Mix Brasília, na capital federal.

A denúncia do MPF narra que, em julho de 2015, após tomar conhecimento da suspensão da operação da boate, ocasionada por rendimentos insatisfatórios, Mouhamad procurou a administração para disponibilizar recursos em prol da reformulação da casa noturna.

Durante as investigações, o detentor da marca Villa Mix, Marcos Aurélio Santos de Araújo, confirmou que Mouhamad, adquiriu participação na casa de shows. O contrato foi celebrado em 12 de agosto de 2015, mediante o pagamento de oito parcelas que variaram de R$ 200 mil a R$ 500 mil, a serem quitadas entre agosto de 2015 e março de 2016.

Ainda no decorrer da apuração, analistas da Polícia Federal detectaram movimentações bancárias entre as empresas Salvare, de propriedade de Moustafa, e JHLS Lanchonete e Choperia Ltda., responsável pela casa de shows, e o administrador da JHLS, Luiz Gustavo Penaranda.

O papel de Priscila na negociação também é apontado pelo MPF na ação penal. “Durante as tratativas, é possível verificar que Priscila Marcolino Coutinho teve importante participação no processo, na medida em que foi a responsável por autorizar e inclusive fazer retificações na minuta do contrato, conforme se verifica em e-mails trocados entre ela e funcionários da empresa”, destaca a denúncia ao mostrar as referidas mensagens interceptadas no curso da investigação.

A ação penal aguarda recebimento pela 4ª Vara da Justiça Federal do Amazonas.

Confira a denúncia na íntegra