MPF fez uso político do Twitter e alimentou redes bolsonaristas, afirmam pesquisadores da FGV

Manifestantes contrários ao governo de Dilma Rousseff (PT) pedem seu impeachment na av. Paulista, em São Paulo - Adriano Vizoni - 13.mar.2016/Folhapress)

Manifestantes contrários ao governo de Dilma Rousseff (PT) pedem seu impeachment na av. Paulista, em São Paulo – Adriano Vizoni – 13.mar.2016/Folhapress)

Um estudo realizado por pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) afirma que o Ministério Público Federal (MPF) fez uso político de sua conta no Twitter nos últimos anos —o que pode ter tido potencial para afetar a governabilidade no país e a democracia em momentos decisivos como o impeachment de Dilma Rousseff e as eleições de 2018.

AMOSTRA

A pesquisa examinou um universo de 37.041 tuítes publicados pelo MPF desde sua entrada na rede social, em 2011. Por meio de dois softwares, foi possível analisar o conteúdo das postagens e a rede de interação do órgão com outros usuários, a partir de recortes temporais relacionados ao noticiário político.

FOCO

O tema “corrupção” aparece em 61,5% dos tuítes e retuítes da conta. Os pesquisadores Rafael Rodrigues Viegas e Lucas Busani Xavier, que assinam o estudo, também identificaram que os picos de maior atividade do MPF no Twitter coincidiram com escândalos como o julgamento do Mensalão, em 2012, e com a divulgação de casos da Lava Jato.

LUPA

Ao focar na corrupção em detrimento de outras áreas —como saúde e educação—, o MPF forneceu à rede de apoiadores da Lava Jato e de Jair Bolsonaro informações contra seus inimigos políticos. Ou seja: ao usar a plataforma para se autopromover, a instituição alimentou um segmento de forma não intencional.

EXTREMO

Os pesquisadores observaram na rede de interação do MPF conexões com instituições e atores da sociedade “alinhados, em termos de valores e visão de mundo, com a extrema direita ideológica”.

TROPA

Exemplo disso é o mês de outubro de 2018, quando influenciadores bolsonaristas como o jornalista Alexandre Garcia e o blogueiro Allan dos Santos foram os perfis que mais se alimentaram de conteúdos do MPF, difundindo-os entre seus seguidores.

MIRA

O artigo ainda destaca que o sistema político brasileiro não pode ser operado sem coalizões partidárias, as quais em 2016 e em 2018 estavam atreladas aos alvos preferenciais de inquéritos e postagens do MPF —a quem é vedada atuação política. A conta do órgão no Twitter hoje é seguida por mais de 718 mil usuários.