Mudanças no IPI podem causar mais de mil demissões em Presidente Figueiredo

O Governo Federal zerou a alíquota do Imposto de Produtos Industrializados para os concentrados de refrigerantes na Zona Franca de Manaus

A publicação do Decreto n.° 11.052/2022, que zera a alíquota do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) para os concentrados de refrigerantes na Zona Franca de Manaus (ZFM), pode causar desemprego em massa no município de Presidente Figueiredo (a 119 quilômetros de Manaus). A preocupação gira em torno da empresa Jayoro, responsável pelo plantio de cana-de-açúcar e guaraná, que posteriormente vira açúcar, álcool e extrato de guaraná, ingredientes que compõem os refrigerantes.

A mudança na alíquota era de 6% para refrigerantes, mas foi zerada. Por conta disso, as empresas do Norte perdem seu principal atrativo, pois elas já eram isentas do imposto. Atualmente, o Amazonas é responsável por cerca de 95% da produção do país de refrigerantes.

Empresa fica em Figueiredo

Por conta disso, a prefeita de Presidente Figueiredo, Patrícia Lopes (União Brasil), pediu ajuda. Segundo ela, cerca de 1,1 mil pessoas dependem da empresa no interior.

“Essa é uma situação que muito me preocupa. Além dos empregos diretos e indiretos, a Agropecuária Jayoro dá oportunidade para mais de 30 jovens por meio do programa menor aprendiz. Isso quer dizer, que mais de mil pessoas, pais e mães, chefes de família, ficarão desempregados, com isso suas famílias passarão necessidades e serão mais de mil pessoas que deixarão de consumir no comércio local e vão precisar de ajuda assistencial do poder público para sobreviver”, argumentou a prefeita.

Ameaça à ZFM 

A semana foi dura para o Amazonas. Além do decreto que zerou a alíquota dos concentrados, também houve a ampliação na redução de IPI em determinados produtos, que passou de 25% para 35%, o que coloca em risco o modelo econômico da Zona Franca de Manaus.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia anunciado que o governo tomaria a decisão. O novo corte beneficia uma série de produtos industrializados, entre eles: calçados, tecidos, artigos de metalurgia, aparelhos de TV e de som, carros, armas, móveis, brinquedos e máquinas.

Os reflexos do primeiro decreto feito pelo governo de Messias Bolsonaro de redução do IPI ainda não foram sentidos. Não houve redução de preços para o consumidor, a inflação continua alta, na casa dos dois dígitos e o Brasil continua tendo milhões de desempregados.

Em 25 de fevereiro deste ano, o governo havia publicado um primeiro decreto, reduzindo o IPI em até 25%.