Mulher brutalmente agredida pelo vizinho já denunciava violência sofrida desde 2014

Mais um caso de violência contra mulher aconteceu nessa segunda-feira (29) em Manaus. A vítima dessa vez é Mary Lucia da Silva Ribeiro, 45, que foi brutalmente agredida com xingamentos, socos e pontapés pelo vizinho. A agressão aconteceu por volta das 17h, durante uma discussão na rua Êxodo, bairro Colônia Terra Nova, zona norte da cidade. Segundo informações da própria vítima, esta não é a primeira vez que é agredida pelo homem, que, segundo ela, tem um um histórico de agressões a terceiros e, por alguma razão desconhecida, até hoje permanece impune pela justiça.

Segundo a vítima, que mora sozinha, a nova agressão aconteceu na frente de sua residência, após ser acusada pelo vizinho de estar usando o aparelho telefônico para fazer filmagens dele sem autorização. “Eu estava com meu celular que por ser novo e importado ainda não sei manusear muito bem. Ele achou que eu estava filmando algo e já veio alterado, me xingou de ‘machuda’, depois me agrediu com socos no rosto e pontapés. Foi horrível”, relata.

Após o fato, Mary Lúcia informou que tentou registrar B.O. (Boletim de Ocorrência) na delegacia da mulher na região, mas foi orientada a procurar o 18° DP (Delegacia de Polícia), no Novo Israel – essa inclusive foi a mesma delegacia que ela registrou um boletim em 2014, referente a primeira agressão sofrida naquele ano, que resultou em um processo contra o vizinho, mas que até agora não deu em nada.

“Eu tentei fazer logo para que ele fosse preso em flagrante, mas não quiseram fazer porque segundo a delegacia da mulher, não se caracteriza agressão doméstica. Tive então, que buscar atendimento médico no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, onde demorei a ser atendida e só consegui registrar tarde da noite”, reclama.

A vítima conta que na ocasião da primeira violência física, flagrou o homem com uma máquina fotográfica acompanhado de uma criança menor de três anos. “Isso era de madrugada, fui pedir pro cachorro parar de latir porque ia acordar cedo e ele já veio xingando, me agrediu e me ameaçou de morte. Ele bateu pra matar. Fiz todos os procedimentos, mas parece que ele tem contatos fortes que impedem que a justiça seja feita”, desabafa.

Mary Lúcia contou, ainda, que antes disse tudo, fez um B.O. por ameaça de estupro e morte e, pertubação do sossego contra o suspeito. “Ele falou que eu tinha que virar mulher de qualquer jeito”. Segundo ela, o tal vizinho já tem outros registros de agressão feitos por terceiros, um de outra mulher e dois por homens.

O Fórum Municipal dos Direito da Mulher, o Conselho Estadual dos Direito da Mulher e a Articulação de Mulheres Brasileiras acompanham o caso.

“Vamos dar continuidade no processo parado e articular com a Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, o repasse das informações para o MP-AM (Ministério Público do Amazonas). Com isso, acompanhar para que haja julgamento da sentença porque o que ele fez hoje foi agredir e não vamos permitir que ela morra simplesmente”, afirma a coordenadora das entidades em Manaus, Florismar da Silva. “O objetivo da rede de proteção é fazer com que as coisas andem, então, vamos fiscalizar e cobrar para que este homem seja preso”, acrescenta. Segundo a representante, até o fechamento desta edição o acusado não havia sido preso.