Mulheres choram e se revoltam: nova diretora do Instituto da Mulher acaba com o setor de mastologia e com exames de mamografia (ver vídeo)

Hospital Pronta 1O Radar recebeu a mensagem na sexta-feira passada (20) de que a nova diretora do Instituto da Mulher Dona Lindu, a médica ginecologista e obstetra Maria Grasiela Correa Leite, escolhida pelo secretário de Saúde do Estado, Wilson Alecrim, com o devido aval do governador José Melo, para substituir o também médico ginecologista e obstetra Agnaldo Costa, na direção daquela unidade de saúde, tinha decidido que não haveria mais atendimento médico e nem exames de mastologia num hospital que foi inaugurado como referência em saúde da mulher. A decisão é tão absurda que não acreditamos.

Para checar a veracidade dos fatos, cheguei às 6hs desta segunda-feira (23) no Instituto da Mulher onde uma longa fila de mulheres já esperava pela abertura dos portões da recepção do hospital onde seriam encaminhadas para o retorno com os médicos com os quais estão fazendo tratamento, para a realização de exames como a mamografia ou marcação de consultas e exames. Mas, ao chegarem dentro do hospital é que ficaram sabendo por meio da atendente na recepção – é lógico que nenhuma das “chefas” e muito menos a diretora do hospital apareceu para dar satisfação – que o setor de mastologia do hospital foi desativado por decisão da nova diretora, Maria Grasiela Correia Leite, ou seja, no hospital de referência para a saúde de mulheres, não haverá mais médico especialista na prevenção e tratamento do câncer de mama e nem será feito exame de mamografia.

Hospital Pronta 3Ao ser cercada pelas mulheres em desespero, a funcionária da recepção, sobre quem o Radar faz questão de destacar sua delicadeza e calma mesmo diante da revolta das mulheres, explica: “Eu só estou cumprindo ordens. Apenas faço a marcação de consultas e exames no sistema de agendamento. Tenho que repassar pra vocês o que mandaram. O Instituto da Mulher não tem mais atendimento em mastologia. Não podemos mais marcar consultas, não tem mais cirurgia, retorno, nada. O encaminhamento é para que vocês se dirijam aos postos de saúde ou policlínicas para começarem o procedimento por lá”.

Choro e Desespero

Elimar Silva de Lima, 49 anos, chora descontroladamente. Ela conta que está com nódolo e cisto no seio. Ela estava fazendo tratamento no Instituto da Mulher com o médico mastologista Euler Martins Marques, e veio para o retorno após fazer exames. Conta que tenta o retorno com o médico desde dezembro, sem sucesso. Por conta da dificuldade de realizar a nova consulta, ela decidiu pernoitar no hospital. Chegou às 19hs do domingo. Ela se desespera ao saber que a nova diretora acabou com o setor de mastologia. “Meu Deus, o que vou fazer. Não posso começar tudo de novo. Posso não ter mais tempo. Estou sentindo cada vez mais dores. Estou piorando a cada dia”, diz em prantos. Assim como Elimar há outras mulheres que pernoitaram no Instituto da Mulher. Objetos como mochilas e sacolas no chão mostram que há mulheres que “dormiram” na porta do hospital.

Hospital Pronta 2A maioria dos casos também é para retorno com os médicos mastologistas. No caso da esposa do Sr. Ricardo Campos, ela já foi operada em 2013, no Instituto da Mulher, para retirar um nódolo no seio. Só que pareceu um nódolo no outro seio. “Ela é paciente do Dr. César Garcia que passou exames para que ela seja operada novamente. Estou aqui com todos os exames, até mesmo com o risco cirúrgico. Vim tentar marcar a consulta para que o médico avalie os exames e marque a cirurgia. Mas, acabaram até com as cirurgias. Me diga, o que vou fazer agora? Como vou dar essa notícia para minha esposa”, pergunta o homem em tom de desalento, pergunta que eu não tenho resposta – mas pode ter certeza que nosso Radar não vai ficar quieto sem procurar resposta.

Situação parecida vive a esposa do Sr. Rui Barbosa. “Estou desde o final do ano passado tentando o retorno com o médico para minha esposa. Nunca se consegue marcar nada porque esse sistema –  Sistema de Regulação do SUS – vive fora do ar e agora ainda vem essa diretora inconsequente acabar com a mastologia. Cadê o governador que prometeu que a saúde ia melhorar, e fez foi piorar?”, diz o homem em tom de desabafo.

Fevereiro Negro   

E não há como não lembrar que todos os anos é a mesma hipocrisia. No tal de Outubro Rosa, todos os políticos e agentes públicos botam lacinho rosa na lapela pra posar para as fotos. Os prédios públicos são iluminados de rosa, desde o Tribunal de Justiça, Câmara Municipal, Assembleia Legislativa e até mesmo a ponte Rio Negro, o Governo manda ficar rosa em nome de uma campanha de prevenção ao câncer que serve muito mais como campanha de promoção política e pessoal. E como vão explicar agora como diminuem as possibilidades de prevenção e tratamento para essas mesmas mulheres, a quem eles dizem querer conscientizar de que precisam fazer prevenção. Quem vai dar uma resposta a essas mulheres? Quem vai explicar esse fevereiro negro? (Any Margareth)