Mulheres na política: o desafio das “Cinderelas” no Brasil e no mundo

FOTO: FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

É certo que temos o que comemorar! Houve um registro recorde de candidaturas femininas em 2020 na disputa pelas prefeituras e câmaras municipais. Da mesma forma cresceu o total de mulheres eleitas, reeleitas ou que ainda concorrerão no segundo turno. Segundo o site do Senado Federal, até o momento, dados oficiais mostram que, nestas eleições, foram eleitas mulheres para 12,2% das prefeituras do País, enquanto esse número foi de 11,57% em 2016.

Às vezes isso me parece pouco, mas aí lembro que foi apenas em 1933 que as mulheres passaram a poder votar e serem votadas pela primeira vez, mas que ainda se passaram anos com desigualdades no ato de votar, como por exemplo, a autorização dos maridos para mulheres casadas votarem e a questão do voto só ser obrigatório para as mulheres que tivessem uma atividade remunerada. Apenas em 1965, o Código Eleitoral deixou em pé de igualdade o voto de homens e mulheres.

Por outro ado, também acho que não se pode pensar que o pequeno crescimento deste ano das candidaturas femininas e do número de mulheres eleitas seja uma grande conquista, afinal nós mulheres somos 52% da população brasileira e somos 52,5% do eleitorado. Somos maioria no Brasil, mas temos sido tratadas como minoria que não tem vez, nem voz nas políticas públicas.

E somos tratadas assim, muito por culpa de nós mesmas, que insistimos nesse secular complexo de Cinderela, das boas moças, de fala mansa, gestos delicados, decisões equilibradas e vida recatada. E há também a “política” costumeira de certos setores sociais de que mulher não vota em mulher e não apoia mulher. Muitas mulheres não aceitam que outras não sejam recatadas e do lar.

No mundo, essa história das Cinderelas já está sendo revista em plena pandemia. Os países apontados como exemplos de gestão de crise na saúde são liderados por mulheres, Islândia, Tailândia, Alemanha, Nova Zelândia, Finlândia e Dinamarca. Elas não enganaram a população de seus respectivos países tornando a situação menos grave, não transformaram epidemia em gripezinha, eles não transferiram a culpa pros outros, pros chineses por exemplo, pra diminuir a responsabilidade que tinham de controlar a situação, não fizeram brincadeira idiota com coisa séria como a pandemia.

Elas tomaram pra si as rédeas da situação e assumiram as responsabilidades. Elas conseguiram liderar seus países no cumprimento de normas duras de distanciamento social, fazendo com que houvesse baixos níveis de contaminação e taxas menores ainda de mortes. Moral da história: a pandemia passou mais rápido, enquanto no Brasil continuamos contando milhares de mortos!

Quem sabe os exemplos dessas lideranças femininas pelo mundo possam servir de inspiração para que as mulheres tomem pra si o direito e o dever de preencher os espaços na vida econômica, social e política do Brasil. E quem sabe não aprendam que não precisamos de príncipes salvadores, mas apenas de nós mesmas, unidas e determinadas.