Mulheres vítimas de violência doméstica aprendem sobre superação e empreendedorismo

A história de superação e empreendedorismo de uma mulher para emocionar e incentivar outras mulheres Assim pode ser definida a palestra “Café das Mulheres”, no Centro Estadual de Referência e Apoio à Mulher (CREAM), que oferece, além de atendimento psicológico, o social, cursos profissionalizantes para mulheres. A palestra, realizada na manhã dessa terça-feira (17) foi direcionada para mulheres atendidas pelo Núcleo de Atendimento Especializado à Mulher (NAEM) da Deforia Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM).

Na palestra, a empresária Vanete Pereira do Nascimento, 52, que foi vítima de violência doméstica, contou como mudou a história de agressões verbais sofridas dentro da casa, tornando-se uma mulher autônoma e dona do seu próprio destino.

“Meu marido dizia que eu não conseguiria nada com a minha máquina de costura, mas hoje eu produzo uma cinta modeladora que faz sucesso e sou dona da minha vida”, afirmou Vanete, que se emocionou ao falar. De acordo com ela, foram 14 anos sofrendo agressões verbais direcionadas à autoestima. “Eu costurava e fazia coisas para vender na feira do São José e ele criticava, dizia que eu devia era ser doméstica mesmo, porque não ia conseguir nada. Um dia, fiz um modelo de cinta modeladora que achei bom e pedi para minha filha postar na Internet. Foi um sucesso total que continua até hoje”, afirmou a costureira, que é mais conhecida como Nete, nome dado à cinta.

Segundo ela, se tivesse acreditado nas palavras do agora ex-marido, nunca teria conseguido o que tem. “É importante a mulher saber que tem valor e buscar ajuda”, contou ela, que começou recebendo um financiamento da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) e uma máquina de costura. Mãe de dois filhos, um dos quais especial, Nete diz ter vencido a depressão e a baixa autoestima com a coragem presente em toda mulher.

A gerente do CREAM, vinculado à Secretaria de Estado de Assistência Social (SEAS), psicóloga Samantha de Marilac Vieira Barbosa, explicou que o objetivo do Café com Mulheres é a troca de experiências e vivências para que exemplos como o de Vanete sejam multiplicados. “Nosso papel aqui é acolher e mostrar que há saída para situações de violência, seja de um, 10 ou 20 anos”, observou.

EXEMPLOS

A defensora Caroline Braz, coordenadora do NAEM, que funciona na sede do CREAM, destacou a importância do relato de Vanete, para mostrar às demais mulheres que sofreram ou sofrem violência doméstica, a necessidade de atitudes para sair daquela situação. “Agressão não é só física, mas verbal e a mulher não deve se submeter passivamente”, disse ela, indicando a rede de apoio formada pela Delegacia Especializada de Combate à Violência Contra a Mulher, o CREAM e a Defensoria Pública, que pode ser acionada em caso de divórcio, pensão alimentícia, exame de DNA para comprovação de paternidade, entre outros.

O NAEM atende uma média de 20 mulheres diariamente vítimas de violência doméstica e essa parceria com o CREAM, é mais que oportuna, segundo a defensora, porque fazer cursos profissionalizantes é o caminho para a libertação. “A independência financeira é fundamental para a independência emocional”

Outro alerta feito pela defensora Caroline Braz é quanto à legislação protetora das mulheres vítimas de violência. “Hoje, quando o marido ou companheiro se nega a cumprir a medida protetiva, pode-se chamar a polícia e ele será preso, o que não acontecia antes”, observou.

Fonte: Diretoria de Comunicação da DPE-AM