Murad e Lino negam participação no esquema da Maus Caminhos

O empresário Murad Aziz, irmão do senador Omar Aziz (PSD), disse ao chegar no prédio da Justiça Federal para prestar depoimento, não ter conhecimento sobre a ida dos agentes da Polícia Federal até sua casa. Murad é um dos denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas por ter atrapalhado as investigações da Operação Maus Caminhos. Além dele, serão interrogados Gilberto Aguiar, Lino Chíxaro, Marco Antônio Barbosa e Jader Helker Pinto, todos denunciados pelo MPF.

Ao chegar no local, Murad afirmou que não sabia que a polícia iria até a sua casa. “Eu vou falar a verdade, simplesmente o que me perguntarem eu vou responder. Eu não sabia da operação, a imprensa soube antes de mim, pois quando eu soube já tinha imprensa na minha casa antes dos policiais chegeram” disse.

Ao ser questionado sobre sua relação com o médico Mouhamad Moustafa, ele disse que eram apenas médico e paciente. “Era o meu médico, me tratou, sou padrinho da filha dele. Não é porque ele está envolvido em certas coisas que eu também faço parte”.

Lino Chíxaro

O ex-presidente da Companhia de Gás Gigás, Lino Chíxaro, denunciado por ter escondido provas materiais relevantes para as investigações disse que o seu celular foi substituído porque o anterior havia quebrado. “O celular que foi substituído por mim ele tinha apenas três ou quatro meses de uso, portanto não tinha nenhuma informação que interessasse a investigação. Eu estava em São Paulo, meu aparelho quebrou e eu troquei lá”

Ele disse ainda não ter nenhum envolvimento no esquema de desvio de dinheiro público. “Eu vou mostrar aquilo que é real, não tenho nenhuma participação nisso, e mais que isso, eu sou um profissional da área há muito tempo, não teria razão nenhuma para esconder provas. Logo eu que sempre defendi que a minha atuação com o médico Mouhamad e suas empresas era meramente profissional” finalizou.

Mouhamad

Na ocasião, Mouhamad Moustafa, dono do Instituto Novos Caminhos, não falou com a imprensa. No entanto, sua advogada, Simone Guerra, informou que o médico já perdeu 60 quilos pelo tempo que está preso.

Segundo a advogada, Mouhamad não consegue ingerir a comida que servem na prisão, e para não vomitar, ele prefere ficar sem comer. “Ele tem uma indisposição toda vez que come a comida que é entregue. Ele não consegue ingerir e passa mal. É direito do preso, ele tem direito a receber um rancho, para que ele possa se alimentar da forma como quer. Essa situação vem impactando na saúde de Mouhamad” disse.

A advogada disse que já solicitou a liberação de um rancho semanal que, segundo ela, todo preso tem direito. No entanto, a Justiça indeferiu pois entendeu que não há necessidade, já que Mouhamad recebe quatro alimentações diárias.

Denúncia MPF

No mês passado, a Justiça Federal recebeu a denúncia oferecida pelo MPF contra Mouhamad Moustafa, Murad Aziz, Gilberto Aguiar, Lino Chíxaro, Marco Antônio Barbosa e Jader Helker Pinto, por embaraço a investigações da Operação Maus Caminhos. De acordo com a denúncia, os réus tiveram acesso a informações sobre a deflagração da Operação Cashback, quarta fase da Maus Caminhos, antes do cumprimento das medidas.

Na ação penal, o MPF aponta que Gilberto Aguiar teve acesso às informações sobre a Operação Cashback, com deflagração prevista entre 24 e 28 de setembro de 2018, e alertou outros alvos sobre as medidas a serem cumpridas.

Entre os que receberam as informações repassadas por Gilberto Aguiar está Jader Helker Pinto. Ele é cunhado de Mansur Aziz, que é irmão de Murad Aziz, um dos alvos da Operação Cashback. Ao informar Jader sobre a realização da operação, por meio de mensagens de texto em aplicativo de celular, Gilberto citou inclusive pessoas que seriam presas naquela fase da Operação Maus Caminhos, o que demonstra bastante conhecimento das medidas até então sob sigilo e que ainda seriam efetivadas.

Operação Maus Caminhos

Em 2016, a Operação Maus Caminhos desarticulou um grupo que desviava recursos públicos por meio de contratos firmados com o governo do estado para a gestão de três unidades de saúde em Manaus, Rio Preto da Eva e Tabatinga, feita pelo Instituto Novos Caminhos (INC), instituição qualificada como organização social.

As investigações que deram origem à operação demonstraram que, dos quase R$ 900 milhões repassados, entre 2014 e 2015, pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao Fundo Estadual de Saúde (FES), mais de R$ 250 milhões teriam sido destinados ao INC. A apuração indicou o desvio de recursos públicos, além de pagamentos a fornecedores sem contraprestação ou por serviços e produtos superfaturados, movimentação de grande volume de recursos via saques em espécie e lavagem de dinheiro pelos líderes da organização criminosa.

De lá pra cá, a operação já teve cinco fases: Custo Político, Estado de Emergência, Cashback, Vertex e Eminência Parda.