Na Aleam, sindicalistas dizem que reforma da Previdência não corta privilégios e castiga os mais pobres

Caso o texto da Reforma da Previdência, Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n° 6/2019, seja aprovado em sua integralidade, todos os trabalhadores terão de trabalhar cerca de 11 anos a mais para conseguir a aposentadoria. Outra mudança faz com que o Menor Aprendiz perca o tempo de contribuição. Essas foram algumas das principais criticas feitas pelos sindicalistas do Amazonas contra Reforma da Previdência do Governo de Bolsonaro. Para eles, a reforma não corta privilégios e castiga os trabalhadores.

De acordo com o secretário de organização da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Berenicio Lima, nenhum ponto da Reforma da Previdência beneficia os trabalhadores. Segundo o sindicalista, a reforma é injusta, principalmente, para os trabalhadores da construção civil, pois exercem um trabalho pesado, o que vai fazer com que muitos nem consigam se aposentar.

“É uma reforma que acaba com todos os diretos dos trabalhadores desse país e dos mais pobres. Essa mesma ladainha foi feita na reforma trabalhista dizendo que iria trazer mais oportunidades de empregos, mas, o que vemos, é o rico ficando mais rico e mais de 13 milhões de desempregado”, disse.

Outra questão, segundo o sindicalista, é a situação do menor aprendiz. “O menor aprendiz começa a contribuir a partir dos 14 anos, quando começa a trabalhar. Com a reforma, esse período de menor aprendiz não entra na contribuição para contar tempo de serviço”, destacou Berenicio Lima.

Agricultores

Para a presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores (as) Familiares do Estado do Amazonas  (FETRAGRI/AM), Edjane Rodrigues, alguns pontos da previdência devem ser alterados, como o texto que aumenta a idade das mulheres para 62 anos e dos homens para 65.

“A nossa luta é para que se mantenha a previdência da forma atual, sendo mulher com 55 anos e homens com 60 anos para se aposentar. A reforma tira os trabalhadores rurais como segurados especiais, passando a se aposentara a partir dos 65 anos, onde irá receber um Benefício de Prestação Continuada (BPC) de R$ 400”, disse Edjane Rodrigues.

Atualmente, o Benefício de Prestação Continuada é pago mensalmente às pessoas com deficiência e aos idosos com 65 anos ou mais que comprovem não possuir meios de se sustentar, e nem de ter auxílio da família e tem valor de R$ 998 (um salário mínimo).

A proposta do Governo Bolsonaro é criar duas faixas de benefícios para idosos carentes — a partir dos 60 anos, com valor de R$ 400, e a partir dos 70 anos, é que passa para o valor de um salário mínimo, alteração essa que não foi aceita pela classe de trabalhadores rurais.

“Já ganhamos o mínimo do mínimo, por isso, não aceitamos essas mudanças. Outra coisa que não concordamos, é que o agricultor pague, anualmente, R$ 600. Nossa luta é que não aconteça a Reforma da Previdência”, disse a representante dos agricultores.