Na onda da popularidade militar, Fiesp exalta Forças Armadas

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) condecorou o comando das Forças Armadas em uma solenidade na noite dessa quarta-feira (21), em momento em que militares, com altos níveis de popularidade, firmam-se como atores políticos.

Com a eleição do capitão reformado Jair Bolsonaro (PSL) e seu vice, general Hamilton Mourão (PRTB), outros egressos da carreira ocuparão funções do Executivo a partir de 2019. O general Augusto Heleno comandará o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), o tenente-coronel e astronauta Marcos Pontes será ministro de Ciência e Tecnologia, o general Fernando Azevedo e Silva ficará à frente da Defesa e o general Santos Cruz chefiará a Secretaria Nacional de Segurança Pública.

Em cerimônia que reuniu membros de federações industriais de diversos estados, em sua sede na avenida Paulista, a Fiesp homenageou os comandantes da Marinha, Eduardo Ferreira, e da Aeronáutica, Nivaldo Luiz Rossato, além do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Ademir Sobrinho.

A entidade abriu um precedente ao conceder a maior honraria ao comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, agraciado com a comenda da ordem do mérito industrial São Paulo no grau Grão Cruz, em geral destinada a homenagear reis, príncipes, presidentes e primeiros-ministros.

“Nós estamos acostumados a homenagens feitas a heróis em tempos de guerra. Não estamos acostumados a homenagear heróis em tempos de paz”, discursou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf (MDB).

“Mas tem pessoas especiais, que são exemplo, pessoas que têm equilíbrio, um comportamento, uma inteligência, um carisma e simplicidade. São heróis que evitam a guerra e por isso são heróis em tempos de paz. Temos para nosso orgulho um desses heróis aqui presente”, afirmou, ao entregar a homenagem a Villas Bôas.

Único a falar, Skaf fez um discurso de louvação aos militares e aos valores por eles representados. “Eu fico muito feliz que o Brasil passe por momento em que valoriza as suas Forças Armadas”, introduziu. “Desde os primeiros momentos, em todas as nossas escolas, tinham sempre e têm hasteada a bandeira do Brasil, como na minha sala e como no prédio da Fiesp em muitos momentos históricos do Brasil”, relatou. “O hino nacional também é uma prática nossa utilizada.”

O ministro da Defesa e general de Exército Joaquim Silva e Luna, e o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, também foram homenageados.

À imprensa, os dois se mostraram simpáticos à ocupação de cargos civis por membros do Exército. O general Luna, o primeiro militar a chefiar a Defesa desde sua criação, em 1999, disse que “de jeito nenhum” há uma politização das Forças Armadas, “pelo contrário”. “É um reconhecimento de valores que as autoridades que foram eleitas pelo povo encontram nas Forças Armadas”, afirmou. “As Forças Aramadas não inauguram promessas, entregam resultados.”

Para o ministro, as nomeações de militares por Bolsonaro são interessantes. “O importante é que os escolhidos formem uma equipe. É como um time de futebol. Se escalar um time só de Neymar, talvez não dê uma boa equipe. A impressão é que será uma grande equipe.”

Luna disse ter “excelentes expectativas” com o governo e com o presidente eleito também. “Foi a escolha da população. É um homem de vida política longa já, conhece bem o país e está e está com equipe muito forte.”

Tanto o general quanto Jungmann elogiaram a escolha de Bolsonao do novo comando das Forças Armadas, anunciada também na quarta. “São homens sem sombra de dúvida de grande competência, liderança e enorme compromisso com o Brasil e o respeito à Constituição”, disse o ministro da Segurança Pública.

Jungmann minimizou fala do sucessor de Villas Bôas no comando do Exército, general Edson Leal Pujol, com críticas a políticos. “Ele estava estimulando a cidadania, não estava estimulando, até porque não é o caso, não cabe, a que as Forças Armadas assumissem outro papel que não seja aquele reservado pela Constituição”, disse o ministro.

Em palestra em 2017, Pujol afirmou que, “se nossos representantes não estão correspondendo às nossas expectativas, vamos mudar. Há uma insatisfação geral da nação. Eu também não estou satisfeito”.

“Não vejo maiores problemas, acredito que eles cumprirão fielmente o seu compromisso constitucional e democrático”, disse Jungmann, que observou o excepcional protagonismo militar na política. “Se não me engano, ao longo da história, é a segunda vez que temos um presidente e um vice [da carreira] durante um período democrático. O outro [momento] que me recordo é Deodoro da Fonseca e Floriano [Peixoto (1889-1994)], embora durante o regime militar é possível que tenha havido, mas não era período regular democraticamente falando”, disse.

“Isso representa plenitude democrática, porque eles são da reserva e permanecem cidadãos. A população brasileira na última eleição cobrava muito a questão da autoridade, o que tem muito a ver com a questão da segurança pública”, analisou Jungmann.

Fonte: Folhapress.