Na Seduc, os muitos que se sacrificam para que uns poucos enriqueçam com dinheiro da educação

No Dia do professor, comemorado todo dia 15 de outubro, como não pensar sobre o que os educadores têm que enfrentar num ensino público como o que existe no Amazonas onde há contratos milionários que enriquecem alguns poucos em detrimento de milhares de estudantes e dos profissionais de educação que muitas vezes tiram do próprio bolso pra garantir alguma dignidade às escolas onde trabalham.

O que se vê nas escolas não condiz com um orçamento de mais de R$ 3,2 bilhões da Seduc. Em Tefé, na Escola Estadual Deputado Armando Mendes, parlamentares estaduais verificaram a situação de abandono da estrutura da unidade de ensino, paredes descascadas, telhado quebrado, livros jogados ao relento e crianças comendo apenas carne enlatada em conserva com arroz na merenda escolar.

Também no município de Tefé, na Escola Estadual Santa Thereza crianças tiveram que sair de ambulância, porque desmaiaram de tanto calor dentro de salas de aula onde não existe ar-condicionado ou não está funcionando.

Mas essa situação não é exclusiva do interior. Quem tem filho em escolas administradas pela Seduc, com raras exceções, sabe que há sérias falhas estruturais nas escolas e os alunos e educadores passam por situações absurdas, como por exemplo, juntar trocados do próprio bolso pra comprar o que falta pro preparo da merenda escolar das crianças

Enquanto isso há contratos milionários na Secretaria de Educação do Amazonas (Seduc) com a compra de livros sem que ninguém diga quantos são, nem onde estão e nem pra que servem. O que se fala a boca miúda é que tem até filho de político metido nessa história de vender livro pra Seduc.

Milhões da educação vão parar nas contas de empresas que a Seduc atesta fornecerem de tudo, mas na verdade é um grande engodo para dar dinheiro aos aliados do governo, como no caso do fornecimento de internet às escolas que na verdade quase não existe e de um ensino à distância que não chega nem no ramal do Pau Rosa, que dirá em comunidades do interior do Estado.

São escabrosos os negócios feitos com dinheiro da educação e absurdas as histórias. Quem não se lembra do dono da empresa Dantas Transporte, Francisco Luiz Dantas Silva, beneficiado com contratos sem licitação, que assumiu ao Ministério Público participar de um esquema de corrupção na Seduc, com pagamentos de propina a agentes públicos para manter seus contratos e pagamento de “mensalinhos” de até R$ 20 mil a políticos. E toda essa roubalheira, segundo ele, era feita com dinheiro da educação.

Mas depois desmentiu o que ele próprio disse e o MP deixou tudo por isso mesmo, como se nada tivesse acontecido e Dantas continua operando normalmente na Seduc contratos sem licitação, pagamentos por processos indenizatórios e tudo acontece na maior normalidade.

E no dia do professor serão feitas homenagens a quem se sacrifica para que milhares de crianças tenham acesso à educação no Amazonas e uns poucos aproveitadores continuem enriquecendo com dinheiro da educação pública.