“Não estou com a mão no timão e já exauri minhas forças remando forte no sentido oposto”, diz vice-governador em carta de exoneração

Foto: Pedro França/Agência Senado

Após ser colocado de escanteio no Governo, sem participar das decisões relacionadas à saúde pública durante a pandemia do novo coronavírus e sem voz no Executivo, o vice-governador Carlos Almeida, pediu exoneração do cargo de secretário da Casa Civil. (veja a carta no final do texto)

Ele estava no cargo desde março de 2019, quando saiu da Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

“Meu papel, enquanto homem público, preocupado em fixar mais um tijolo na construção de um Amazonas melhor, foi sempre de blindar meu Estado contra esses espectros, alertando-lhe, sempre, dos caminhos a serem seguidos, para não tombar nos rochedos. Todavia, a despeito de todo meu esforço, não estou com a mão no timão, e já exauri minhas forças remando forte no sentido oposto de muitos nessa Galé”, disse o vice-governador, em carta divulgada nesta segunda-feira (18).

Nos bastidores do Palácio, na Compensa, zona Oeste, há rumores de que Wilson Lima e Carlos Almeida cortaram laços e não se falam desde antes da pandemia atingir o Amazonas.

Versão do Governo

Quase 2h depois de o pedido de exoneração ter sido tornado público, o Governo informou que o então chefe da consultoria técnica legislativa da Casa Civil, Lourenço Braga Júnior, assume, a partir desta segunda, a chefia da Casa Civil. Lourenço Braga Júnior é figura conhecido no Governo do Estado tendo assumido cargos a gestão de José Melo.

A versão do Governo é bem mais amena do que a dita, em carta, pelo vice-governador Carlos Almeida. Na carta, ele afirma que não concorda com a gestão adotada pelo Governo do Estado. Mas, segundo o Governo, o vice-governador deixou a Casa Civil para se dedicar “a projetos estruturantes no Governo, alguns deles iniciados ainda no seu trabalho frente à Casa Civil, como programas na área de moradia popular.”

Leia a carta de exoneração na íntegra.